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Correio da Manhã

Portugal
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“Vi a arma e achei que ia morrer ali”

Foi com um ar calmo e sereno que Carlos Marinho, acusado de em Maio do ano passado sequestrar os funcionários e duas magistradas do Tribunal de Família e Menores de Gaia, se sentou ontem no banco dos réus. O arguido, que se encontra em prisão preventiva há mais de um ano, manteve-se em silêncio durante toda a audiência.

19 de Junho de 2009 às 00:30
Carlos Marinho, acusado de cinco crimes de sequestro, está em prisão preventiva há mais de um ano
Carlos Marinho, acusado de cinco crimes de sequestro, está em prisão preventiva há mais de um ano FOTO: Gisela Caridade

O início do julgamento no Tribunal de São João Novo ficou marcado pelo depoimento das duas juízas que recordaram os momentos de terror.

"Entrou aos gritos no gabinete e só dizia que queria resolver as coisas, que já não via o filho há mais de um ano. Consegui que ele saísse e fechei a porta à chave. Não sai mais dali, tinha medo do que pudesse fazer", contou Manuela Caldeira, na altura juíza do processo em que Carlos pedia a guarda do filho.

A magistrada explicou ainda que à data dos factos tinha proibido Carlos de ver o filho, que vivia com a mãe num abrigo para vítimas de violência doméstica porque o menino "tinha medo e não queria estar com o pai".

Lígia Paula, que estava no gabinete ao lado, foi outra das magistradas alvo da revolta do arguido.

"Ouvi os gritos lá fora e quando dei por ela, ele já estava dentro do meu gabinete. Desatei a correr, mas ele veio atrás de mim. Quando vi a arma que ele tinha na mão achei que ele ia disparar e que eu ia morrer ali", recordou a juíza.

Durante o dia de ontem foram também ouvidos alguns dos treze funcionários que durante quase uma hora estiveram sequestrados dentro da secretaria do tribunal, bem como alguns elementos da polícia que na altura estiveram no local.

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