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Correio da Manhã

Portugal

Viana do Castelo: Cem bombeiros em risco

As corporações de bombeiros do distrito de Viana do Castelo poderão ter de dispensar cerca de uma centena de trabalhadores devido à diminuição nas requisições para o transporte de doentes não urgentes.
6 de Janeiro de 2012 às 10:41
As corporações de bombeiros do distrito de Viana do Castelo poderão ter de dispensar cerca de uma centena de trabalhadores devido à diminuição nas requisições para o transporte de doentes não urgentes
As corporações de bombeiros do distrito de Viana do Castelo poderão ter de dispensar cerca de uma centena de trabalhadores devido à diminuição nas requisições para o transporte de doentes não urgentes FOTO: Fátima Vilaça

"Face à drástica diminuição na requisição dos serviços de transportes em 2011, acredito que corporações do distrito terão de dispensar mais de metade dos 180 trabalhadores contratados para assegurar estas funções", revelou Luís Alberto Coelho, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo.

Segundo o dirigente, face às "alterações e restrições introduzidas pelo Ministério da Saúde, em 2011 "o transporte não urgente de doentes sofreu quedas entre 60 a 70 por cento na generalidade das onze corporações do distrito que asseguram este tipo de serviço", o que se traduz num panorama dramático, já que os corpos de bombeiros estão "bastante dependentes" deste tipo de serviço para conseguir receitas próprias para garantir meios humanos que depois são destacados também ao serviço do socorro.       

O transporte não urgente de doentes representa para estes bombeiros  uma facturação anual a rondar um milhão de euros, por requisição das unidades públicas de saúde.  

"O problema é que estamos a falar de uma região que fica afastada de tudo, quase de interior e onde uma reforma de 600 euros já dá direito a uma pessoa ir todos os dias para a fisioterapia de táxi, a pagar", criticou Luís Alberto Coelho.

"O que ninguém está a contabilizar é que o pessoal, quando não está nestes serviços, está no quartel pronto para avançar para as emergências. Se forem dispensados, está fácil de ver que o socorro vai ficar em causa, sem qualquer dúvida", acrescentou.         

Além disso, recorda, há serviços de apoio, como centrais de emergências, secretaria e outros que funcionam para toda a corporação, mas que são assegurados por pessoal contratado "a contar" com a facturação do serviço de transporte não urgente.         

"Com a saída destas pessoas, haverá uma redução do nível de operacionalidade que vai colocar em causa a capacidade de resposta das corporações, ficando totalmente dependentes dos voluntários", assumiu o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo.

A solução, defende, passa por uma compensação de verbas através do Ministério da Administração Interna, de forma a manter as estruturas funcionais.         

"Não somos simples transportadores de clientes, temos um carácter social e isso tem de ser reconhecido. Nesta altura estamos muito apreensivos com a situação, das corporações e dos bombeiros contratados", concluiu.

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