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Correio da Manhã

Portugal
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Vice-reitor na cadeia por suspeita de burlas

O reinado de Rui Verde na Universidade Independente (UnI) durou um dia. Há muito que o vice-reitor era seguido de perto pela Polícia Judiciária (PJ) e acabou detido na tarde de quarta-feira, em Lisboa, por fortes indícios de “esquema de financiamento com burlas em pirâmide, fraude fiscal e falsificação de documentos”, apurou o CM junto de fonte judicial. Passou a primeira noite nos calabouços da PJ e, ouvido ontem pelo juiz de Instrução Criminal, recolheu à cadeia em prisão preventiva.
23 de Março de 2007 às 00:00
Rui Verde recuperou o poder na UnI na terça-feira, factor determinante para o Ministério Público (MP) dar seguimento ao mandado de detenção. Estava agora em causa o perigo de destruição de provas, uma vez que a universidade serviria de “fachada” para os crimes de que o vice-reitor está indiciado – entre eles a “falsificação de procurações para pedir empréstimos em nome de terceiros”.
Os inspectores da Direcção Central de Combate à Criminalidade Económica e Financeira da PJ foram chamados a avançar depois das 16h00 de quarta-feira – sabendo que, por lei, tinham 48 horas até à apresentação de Rui Verde ao juiz. O perigo de “alarme social” também foi tido em conta pelo MP, pelos vários confrontos na UnI ao longo do último mês.
O vice-reitor da universidade passou a primeira noite nos calabouços da PJ e, antes das 12h00 de ontem, foi levado ao TIC para um primeiro interrogatório judicial. Rui Verde foi presente em primeiro interrogatório ao juiz de instrução e acabou por ficar em prisão preventiva, a medida de coacção mais grave prevista na lei.
Dois dias depois de ter reassumido o poder na UnI, a prisão de Rui Verde vem demonstrar que a dança de cadeiras na universidade privada pode estar longe de chegar ao fim. Na terça-feira, quase um mês depois de Luís Arouca ter destituído o vice-reitor, Rui Verde reassumiu o controlo da faculdade, após o Tribunal do Comércio de Lisboa ter determinado a “suspensão das deliberações sociais tomadas em assembleia no dia 26 de Fevereiro” – considerando ilícita e ilegal a deliberação através da qual Luís Arouca afastou a anterior direcção.
Contactado pelo CM, António Granjo, do Movimento Unidos, disse esperar que “seja feita justiça”. Admitindo que os alunos estão preocupados com o futuro da Uni, Granjo sublinhou que “o ambiente académico é bom e os alunos estão satisfeitos com os professores que têm”, apelando para que os assuntos empresariais não interfiram com os académicos.
CRONOLOGIA
26/02/07
O reitor Luís Arouca demite as direcções executiva e académica por suspeitas de ilegalidades. Rui Verde é suspeito.
27/02/07
A PJ faz buscas nas instalações da Independente. O ministro do Ensino Superior ordena uma inspecção.
05/03/07
Os alunos voltam à Universidade após uma semana sem aulas.
20/03/07
Rui Verde reassume o poder na Universidade Independente.
"SEGURANÇAS ENCAPUZADOS"
Quando os agentes da PSP foram chamados à Universidade Independente, na tarde de terça-feira, depararam-se com “sete ou oito homens encapuzados”, já depois da troca de agressões entre seguranças privados que não conseguiram evitar, adiantou ao CM fonte policial.
“Andam em grupos de dois a três elementos por carro, para cima e para baixo” na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa – e “controlam eles próprios os movimentos da polícia”, suspeita-se que “também a partir de rádios que terão em sua posse”. São homens considerados “perigosos, com ligações a movimentos de extrema-direita e a claques de clubes de futebol”, que nos últimos tempos se prestaram à segurança da universidade.
A PSP passou a fazer vigilância constante à UnI, que ontem viveu um dia mais calmo. Depois da prisão de Rui Verde.
PERFIL
Rui Verde nasceu em 1966. Formou-se em Direito na Universidade Católica e conheceu Luís Arouca na Universidade Autónoma, onde leccionou. Os dois fundaram a Sociedade Independente para o Desenvolvimento do Ensino Superior (SIDES), entidade instituidora da Universidade Independente.
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