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Correio da Manhã

Portugal
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VIDENTE CONTACTA FAMÍLIA

O arrastar do mistério do desaparecimento de Joana está agora a motivar o interesse de pessoas que se dizem com poderes sobrenaturais. Na passada sexta-feira, a mãe da menina deslocou-se a Lisboa para intervir em programas televisivos e foi contactada por um homem que garantiu que conhecia uma vidente capaz de descobrir o paradeiro da criança.
20 de Setembro de 2004 às 00:00
A pessoa em questão estava mesmo disposta a pagar o alojamento dos familiares da menina num hotel da capital.
De acordo com uma irmã do padrasto da criança, Cláudia Lopes, “estávamos na SIC com a mãe da Joana quando um senhor nos contactou através de um número de telemóvel que nós nem sequer havíamos divulgado publicamente. Ele disse que sabia que iríamos a seguir para a TVI, pelo que pediu para não sairmos de lá enquanto ele não chegasse”. Essa pessoa “garantiu que conhecia uma vidente capaz de encontrar a Joana”.
Perante a situação de falta de resposta das autoridades para o desaparecimento da menina (ocorrido no passado domingo, na aldeia Figueira, concelho de Portimão), os familiares de Joana consideraram que não tinham nada a perder: “Esperámos umas três horas, mas ninguém apareceu, pelo que partimos para o Algarve”, salienta Cláudia Lopes.
No decurso da viagem, no entanto, a família voltou a receber um telefonema do mesmo homem. Este “insistiu bastante para voltarmos para Lisboa, garantindo estar mesmo disposto a pagar um hotel para ficarmos alojados, mas nós acabámos por não aceitar a proposta, dado que já estávamos de regresso ao Algarve”.
Para além deste telefonema fora do normal, os familiares de Joana também receberam um outro contacto de alguém que dizia saber onde estava a menina. Segundo essa pessoa, a criança “tinha sido vista com dois ciganos, em Tavira”. Como prova de que estava a falar verdade, o homem em questão forneceu mesmo o que seria o seu número de telefone. Só que “o número era falso”.
A verdade é que, até agora, os muitos telefonemas recebidos ainda não deram nenhuma pista credível sobre o que aconteceu, apesar de já terem passado oito dias sobre a data do desaparecimento.
As autoridades também ainda não conseguiram descobrir o rasto de Joana, muito embora a PJ tenha apostado forte na resolução do mistério, recorrendo a elementos experientes neste tipo de situações.
Os investigadores continuam a não descartar qualquer hipótese, nomeadamente de a criança ter ido de livre vontade com alguém ou de, pelo contrário, se tratar de um crime.
"UMA CRIANÇA CARENTE E RECEOSA"
A mãe de Joana vive com o actual marido desde há cerca de cinco anos. Segundo os familiares do padrasto da criança, “na altura em que nós a conhecemos, a Joana tinha três anos e demonstrava ser algo carente e receosa”. Actualmente, a menina já se revelava mais segura de si, mas necessitava sempre de “muito carinho”. A relação com o padrasto “era muito boa e ela tratava-o mesmo como pai”. Os familiares do padrasto salientam ainda que têm sido eles a tentar tudo para encontrar a criança, nomeadamente “com colocação de cartazes com a fotografia da Joana em locais públicos”, acrescentando que da parte da família da mãe da criança não tem havido grande colaboração nessa tarefa.
PORMENORES SOBRE O CASO
PERCURSO
Joana Isabel Cipriano Guerreiro, de oito anos, foi vista pela última vez no dia 12 deste mês, cerca das 20h30, junto à igreja da Figueira (aldeia do concelho de Portimão). A criança fora às compras a um café e estava de regresso a casa.
FAMÍLIA
A menina residia desde há cerca de um ano nesta aldeia, na companhia da mãe, padrasto e dois irmãos pequenos. Toda a gente descreve a criança como “muito responsável, bem comportada e adulta de mais para a idade que tinha”.
INVESTIGAÇÃO
Nos primeiros dias, a investigação do desaparecimento de Joana esteve a cargo da GNR de Portimão. Esta força de segurança não conseguiu, no entanto, deslindar o mistério, tendo o caso passado para a alçada da PJ na quinta-feira.
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