Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

Violada à saída do emprego

Passavam poucos minutos das 23h30 de anteontem quando Carla (nome fictício) se dirigia a pé para casa, no centro do Porto, depois de mais um dia de trabalho. De repende surgiram dois homens, e a vítima acabou sequestrada, agredida, algemada e violada. No fim, roubaram-lhe dez euros.
13 de Maio de 2009 às 00:30
Fernando Marques socorreu a mulher, que chorava convulsivamente e pedia para que chamassem a polícia
Fernando Marques socorreu a mulher, que chorava convulsivamente e pedia para que chamassem a polícia FOTO: Miguel Pereira

Carla, 39 anos, foi atacada na rua de Santa Catarina por dois homens armados que não sabe de onde surgiram. Em poucos minutos, conta que a agrediram, agarram e obrigaram a entrar num carro, um Nissan Patrol branco. Foi ainda algemada.

Transportada para um monte em Covelas, na Trofa, a vítima garante que foi violada. Mais uma vez terá sido agredida e no final ainda foi assaltada. Levaram-lhe o pouco dinheiro que tinha na carteira, cerca de dez euros, e abandonaram-na.

Aterrorizada com o que acabara de lhe acontecer, Carla começou a procurar alguém que a socorresse. Percorreu mais de um quilómetro a pé até ancontrar algumas casas, e tocou à campainha de uma delas.

"Já passava das três da manhã quando ouvi barulho lá fora. A senhora chorava e gritava tanto que mal ouvi a campainha a tocar. Estava muito assustada e cansada de andar a pé", recordou ontem ao CM Fernando Marques, a primeira pessoa a socorrer a vítima.

Sentada nas escadas da casa, Carla contou a Fernando o que se tinha passado e pediu-lhe que ligasse à polícia.

"Contou-me que quando ia a sair do trabalho foi sequestrada por dois homens. Estava nervosa, não parava de chorar. Só pedia que chamasse a polícia. Estava desesperada."

Fernando ligou para a GNR da Trofa e explicou o que se estava a passar. Carla foi transportada para o Hospital de São João, no Porto, onde recebeu tratamento.

"ASSUSTEI-ME COM OS GRITOS"

Fernando Marques, proprietário da casa onde Carla foi pedir ajuda, confessa ao CM que ainda hesitou antes de abrir a porta.

"Vim à janela e vi aquela mulher a chorar convulsivamente. Assustei-me com os gritos. Hoje em dia temos de suspeitar de tudo. Pensei mesmo em não abrir a porta", recorda a testemunha.

Covelas, o monte onde Carla foi abandonada, é conhecido na zona como sendo um local propício à prostituição, facto que fez Fernando hesitar em abrir a porta.

Antes de tocar à campainha de Fernando, Carla ainda pediu ajuda em outras casas, mas ninguém a socorreu.

"Ouvi a campainha a tocar mas quando vim cá fora estava tão escuro que não vi ninguém. Não sabia que se passava algo de tão grave", contou uma moradora.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)