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Correio da Manhã

Portugal
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Violador infecta filha com sífilis

Rogério Pebre, que raptou e violou mulheres que seduzia pela internet, é suspeito de ter abusado de menina de seis anos – contagiada com doença.
29 de Abril de 2010 às 00:30
Criança denunciou Rogério Pebre através de desenhos de actos sexuais e relatou ter brincado ao ‘quarto escuro’ com o pai e outra amiga de seis anos
Criança denunciou Rogério Pebre através de desenhos de actos sexuais e relatou ter brincado ao ‘quarto escuro’ com o pai e outra amiga de seis anos FOTO: D.R.

Viciado em armas e violador de mulheres que seduzia na internet, Rogério Pebre, 43 anos, será também pedófilo, segundo uma outra investigação da Polícia Judiciária. Ao que o CM apurou, o vigilante da Prosegur que a Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ prendeu no domingo, em Alcoentre, agora por crimes de rapto e violação de duas mulheres, é suspeito de já ter abusado da filha menor, infectando--a na boca com sífilis – doença sexualmente transmissível e que provoca lesões na pele.

A criança tem actualmente nove anos e a doença foi-lhe diagnosticada em 2006, já numa instituição da Santa Casa da Misericórdia, onde foram denunciados os abusos depois de internada. Mãe e filha vivem ainda na instituição, onde Rogério estava proibido de se aproximar até ser preso, há quatro dias – porque na altura terá ficado à solta.

Era suspeito de ter abusado da filha, num processo que continua a correr termos no Ministério Público de Sintra; em 2006 e 2007 foi apanhado com armas, mas em nenhum caso terá ficado preso. Só agora, por ter violado duas mulheres. Na altura dos abusos à filha, Pebre mudou-se da Margem Sul para Caneças, em Odivelas. 'Elas [mãe e filha] passavam fome. Ele batia-lhes todos os dias. Um dia até partiu a cabeça à companheira com a pistola', conta ao CM uma amiga da vítima. E terá ainda tentado abusar de uma amiga da filha, também com seis anos.

'Quando a menina chegou à instituição admitiu às técnicas os abusos por desenhos. Aí falou da outra menina – disse que brincavam os três ao ‘quarto escuro’. E quando fomos lá a casa é que vimos o quarto cuja janela era tapada com um cobertor'. Seriam aí consumados os abusos. Os amigos ajudaram a mulher, com pouco mais de 20 anos, a fugir, mas Pebre conseguiu a morada e ateou-lhe fogo à porta. A mulher já tem outro filho, bebé, mas recentemente terá sido ameaçada de morte pelo violador.

SAIBA MAIS

BACTÉRIA

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria. Causa lesões na pele e mucosas e pode afectar os sistemas nervoso e cardiovascular.

124

Casos são registados por ano, em média, em Portugal. Nos EUA, o número é de 36 mil.

DOENÇA MORTAL

Em casos extremos, a bactéria pode causar danos no cérebro e complicações cardiovasculares que causam a morte. 

PUBLICOU FOTOS DA FILHA NAS REDES SOCIAIS

Rogério Pebre publicou nos seus perfis no Hi5 e no Facebook, duas redes sociais na internet, várias fotografias da filha de nove anos. Em algumas delas o predador sexual aparecia abraçado à menina e a dar--lhe beijos na cara; noutras a criança surgia sozinha. No total, o violador da net, actualmente preso por ter abusado de duas mulheres, tem cerca de dez fotografias onde a filha aparece. O vigilante tinha ainda uma foto em que surgia na companhia da menina e da mãe daquela, que durante alguns anos morou com Rogério. Por debaixo da fotografia o violador deixou ainda um comentário para a ex-companheira, onde se lia: 'Não quiseste ficar comigo, não sabes o que perdeste'. Nas redes sociais, o homem faz ainda questão de divulgar que é pai da criança e chega a publicar o nome e a idade da menina.

'CUSPIA NO PRATO DA MULHER E DA MENINA'

O relato sobre a personalidade de Rogério Pebre, feito por quem o conhece, não podia ser pior. 'Ele era horrível. Até cuspia no prato da filha e da mulher', disse ao CM um antigo vizinho da zona de Caneças, onde em 2006 a Polícia Judiciária lhe fez uma busca à casa por posse de armas e maus tratos. Foram-lhe apreendidas várias armas e provadas as agressões violentas. Foi condenado, mas em pena suspensa. No ano passado surgiu a primeira denúncia de violação de mulheres que conhecia na internet. Eram fechadas, agredidas e obrigadas à prática de relações sexuais com a pistola apontada à cabeça.

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