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Violência de Renato Sebra comparada à dos cartéis mexicanos

O psicólogo William Barr, contratado pela acusação a Renato Seabra, afirmou nesta sexta-feira no tribunal de Nova Iorque que o motivo do homicídio de Carlos Castro foi "raiva" e que a violência praticada é semelhante à dos cartéis de droga no México.
26 de Outubro de 2012 às 20:24
Aspirante a modelo está a ser julgado pelo homicídio de Carlos Castro
Aspirante a modelo está a ser julgado pelo homicídio de Carlos Castro FOTO: Lucas Jackson/Reuters

Director de Neuropsicologia na Universidade de Nova Iorque, Barr foi questionado pela procuradora Maxine Rosenthal, rejeitando a tese da defesa de que Seabra deve ser ilibado do violento crime de 7 de Janeiro de 2011 devido a problemas mentais que o impediram de ter consciência dos seus actos.

O neuropsicólogo indicou que os vários testes clínicos que ministrou a Seabra contrariam o diagnóstico de "psicose clássica" que lhe foi feito, em particular nos dois hospitais por onde passou depois do crime.

Num destes testes, não houve quaisquer "indícios residuais" de desordem bipolar que "seriam de esperar em alguém que teve um episódio maníaco um ano antes" e a única anomalia detectada é ao nível da "hostilidade, instintos manipuladores e raiva".

"Significa que esta questão está mais relacionada com controlo de impulsos, raiva e outras coisas. Vê-se muito em pessoas que cometeram crimes violentos, as cadeias estão cheias" de pessoas com estes sintomas, disse Barr.

No início de 2012, Barr diagnosticou a Seabra "distúrbios emocionais com traços psicóticos em remissão total ", após seis horas de entrevista pessoal e de rever os registos dos diferentes médicos que o avaliaram, além de provas do crime.

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram Renato Seabra em três unidades psiquiátricas, a defesa afirma que, na altura do crime, o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com características psicóticas graves" e logo não deve ser considerado culpado.

 


A defesa aponta ainda para a natureza brutal das agressões, incluindo mutilações genitais da vítima alegadamente ordenadas por "vozes" na cabeça de Seabra, como prova de um estado maníaco, o que Barr rejeita. 

"Na maioria dos casos de crime, cometidos por psicóticos ou não psicóticos, o problema é alguém desencadear raiva, hostilidade, perder controlo dos seus impulsos", disse o neuropsicólogo.

Estes actos, adiantou, são "uma maneira de humilhar a vítima", de "tirar a virilidade", frequente entre homens "zangados". "Infelizmente não é raro. Vê-se nos homicídios de cartéis no México", em que as vítimas aparecem com mutilações genitais.

Barr disse mesmo que Seabra, na sucessão de entrevistas desde o momento do crime até à dada ao psicólogo Jeffrey Singer, contratado pela defesa, tem vindo a dar relatos cada vez mais bizarros, relacionados com a mutilação e com o facto de obedecer a "vozes" na sua cabeça, durante o crime.

"Torna-se tudo cada vez mais estranho à medida que avançamos", afirmou Barr, sublinhando que ir "acrescentando um ponto à história" é "próprio da natureza humana".

Os testes ministrados a Seabra não detectaram sinais de exagero de sintomas ou mesmo fingimento, mas o psicólogo ainda acredita nesta possibilidade.


"Também não posso excluir [fingimento], porque há elementos do historial e apresentação de sintomas e outras coisas que me levam a acreditar que há uma possível fabricação de sintomas nalguns casos", adiantou.

A tese da procuradora é que não há provas de loucura antes do crime e que aquilo que leva ao diagnóstico de psicótico ocorreu durante ou após o crime.

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