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Correio da Manhã

Portugal
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Violência doméstica cresce em Peniche

Os casos de violência doméstica e de agressões e desordens no interior das habitações é uma das principais preocupações do subcomissário Jorge Martins, comandante da esquadra da PSP de Peniche. É o responsável, há uma semana, pelo projecto-piloto ‘Polícia de proximidade’ no distrito de Leiria.
9 de Janeiro de 2007 às 00:00
Jorge Martins
Jorge Martins FOTO: Carlos Barroso
Além da permanência nos bairros, os agentes têm de contactar e acompanhar os moradores alvo de crimes e os grupos de risco – jovens e vítimas de violência doméstica – identificados após a realização de um diagnóstico sócio-criminal. Os dados apontam para a “existência de alguns problemas preocupantes ao nível das ofensas à integridade física, sobretudo no que se refere à violência doméstica”.
“É um crime que tem vindo a subir”, explica o subcomissário Jorge Martins, acrescentando que em 2005 “aumentou 18 por cento na cidade enquanto no País diminuiu seis”. Por outro lado, “34 por cento das ofensas à integridade física registam-se nas habitações e em 60 por cento dos casos existe uma relação de parentesco”. Também 45% das desordens “são registadas em casa”. “O policiamento de proximidade vai ajudar-nos a perceber o que está na origem deste aumento, para atacarmos na raiz este problema”, diz o comandante da esquadra da PSP de Peniche. Outros crimes significativos são os furtos no interior de viaturas e os assaltos com arrombamento de estabelecimentos.
A decisão de criar o projecto-piloto – com a vigilância personalizada de bairros sociais problemáticos em Peniche – procura aproveitar as capacidades académicas adquiridas pelo comandante da esquadra (ver perfil) e critérios de natureza policial”, segundo o Comando Distrital de Leiria da PSP.
"CONTACTO QUASE PORTA A PORTA"
“O que pretendemos é mudar a dinâmica do modelo de policiamento – até aqui disperso e aleatório – para um policiamento regular e mais visível, para sermos pró-activos e estarmos mais atentos aos pequenos problemas que poderão traduzir-se em situações mais sérias se não forem combatidos a tempo e abordados logo na raiz”, explica o subcomissário Jorge Martins. A cidade de Peniche foi dividida em cinco sectores e cada um tem um agente destacado para a vigilância. Procurará captar a confiança dos moradores e colocá-los à vontade para relatarem situações anormais. Uma das prioridades é dissuadir comportamentos de risco e fazer o acompanhamento pós-vitimação. “Vai ser um contacto quase porta a porta, bastante pessoal e regular, com os moradores, comerciantes, associações e instituições, no sentido de haver diálogo e troca de informações que interessem a ambos – Polícia e população”, concluiu o comandante da esquadra.
PERFIL
Jorge Martins, 42 anos, é natural de Peniche, onde começou como guarda da PSP, em 1988. Chegou a 1.º subchefe e foi promovido a chefe de esquadra no curso de 1996-97. Chefiou a esquadra da PSP de Beja e começou a frequentar a universidade. Comandou as esquadras da PSP de Odivelas e Caldas da Rainha. Está desde 2003 em Peniche. Licenciado em Direito pela Universidade Moderna, em 2003, completou em 2005 a pós-graduação em Segurança Interna, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. Casado, tem dois filhos, de oito e 14 anos.
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