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Correio da Manhã

Portugal
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Violência escolar observada

O Governo vai criar um Observatório para a Segurança em Meio Escolar. Segundo apurou o CM, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, decidiu aceitar uma sugestão do Gabinete de Segurança do Ministério da Educação para a criação de um observatório, que acompanhe e analise cientificamente os dados estatísticos relativos à violência em meio escolar.
29 de Novembro de 2005 às 00:00
O Programa ‘Escola Segura’ – presença da PSP e GNR no exterior das escolas e de seguranças no interior, 'é talvez dos mais eficazes no Ministério da Educação, é para continuar e melhorar', reconheceu a governante.
O Programa ‘Escola Segura’ – presença da PSP e GNR no exterior das escolas e de seguranças no interior, 'é talvez dos mais eficazes no Ministério da Educação, é para continuar e melhorar', reconheceu a governante. FOTO: DR
De acordo com fonte ministerial, os dados estatísticos actuais “não permitem grandes comparações e não são confiantes para tomar medidas de actuação bem fundamentadas”.
O Gabinete de Segurança transmitiu à ministra que “não tem meios humanos nem ‘know-how’ científico” suficientes para aplicar os dados recolhidos no terreno. Por isso propôs que os números sejam acompanhados por “estudos de vitimização”, cientificamente acompanhados por um observatório.
O que se pretende, realça a mesma fonte, é que “já no próximo ano lectivo seja esta organização a fazer uma análise científica dos dados”.
O despacho ministerial será assinado nos próximos dias e apenas faltará identificar qual a instituição universitária, “especialista em estatística”, responsável pela análise de dados.
MENOS VIOLÊNCIA GRAVE
De acordo com dados estatísticos disponibilizados pelo ME, do ano lectivo de 2003/04 para o 2004/05, registou-se um aumento no número de casos envolvendo a integridade física entre alunos – de 830 passou para 1014. No entanto, a violência grave diminuiu: em 2003/04 receberam assistência hospitalar 186 alunos, 14 professores e 15 funcionários; em 2004/05, os números baixaram para 159 alunos e onze professores, apenas aumentando o número de funcionários assistidos: 21. No total, entre 2003 e 2004, o número de casos de violência aumentou – de 1051 para 1232.
Apesar da frieza dos números, a ministra da Educação desvalorizou os dados. “Não é nada de preocupante. Se considerarmos o número de alunos, professores e escolas existentes, os números são muito insignificantes”, afirmou.
MÃE INTERVÉM PARA PARAR AGRESSÕES
A mãe de dois gémeos, alunos da Escola EB 1 N.º 5 de Vale Carneiros (Faro), nem queria acreditar no que viu quando, na quinta-feira, foi buscar os filhos à escola. Chegou dez minutos atrasada e os portões já estavam fechados, mas por detrás das grades os dois gémeos eram agredidos por dois miúdos. Ana disse ao CM que cinco adultos – dois professores e três animadores de um ATL existente na escola – assistiam à situação impávidos. Foi ela quem, após correr e entrar pelas traseiras da escola, separou os miúdos.
“Um estava a ser arrastado pelo chão e o outro estava a levar pontapés.” Tentou falar com a directora da escola, mas não foi recebida. Optou por falar com o presidente do agrupamento escolar, Francisco Soares, professor na Escola C S Neves Júnior. Em declarações ao CM, Francisco Soares disse aguardar um relatório da directora e contemporiza: “Há situações que podem ser confundidas com violência, mas são próprias da convivência.”
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