Violência para ter rendimento social

Armas, insultos, viaturas e instalações vandalizadas e ameaças à integridade física, tudo vale para ameaçar os técnicos da Segurança Social e tentar manter o Rendimento Social de Inserção (RSI). As equipas que analisam e contactam com as famílias que pedem o subsídio, e de outros serviços de acção social, trabalham sem rede, nos bairros de pior reputação.
12.03.12
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Violência para ter rendimento social
Em Setúbal cinco associações prestam apoio aos utentes do RSI. Os casos de violência ocorrem em praticamente todos os bairros, sendo o da Bela Vista (na foto) um dos mais inseguros Foto Sérgio Lemos

Para breve, segundo fonte do Governo, as ameaças a técnicos da Segurança Social vão levar à suspensão da atribuição dos subsídios.

Em Setúbal, por exemplo, nas associações que prestam o serviço de apoio ao RSI o medo é permanente. "Já tivemos técnicos, a quem lhes foi pedido para esperar, e acabaram com uma pistola na mesa", conta um técnico. Muitos dos casos são de beneficiários de RSI que, com a mudança das regras de atribuição do subsídio, acabam por perder o dinheiro. "É uma violência que resulta do desespero. É a sobrevivência de famílias que perdem a única fonte de rendimento", comenta Nuno Oliveira, assistente social da Associação de Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras (APACCF), Setúbal. Num trabalho anterior, no bairro das Marianas (Carcavelos, Cascais), Nuno recorda um jovem com uma arma: "Estava desesperado e pediu-me para desaparecer com a arma, pois tinha medo de fazer asneira".


Inserida num contexto social diferente do bairro da Bela Vista, também em Setúbal – onde actuam cinco associações que prestam apoio aos utentes do RSI – a APACCF também vive situações de violência, apesar de menos frequentes, refere Margarida Jorge, psicóloga. "Fomos a casa de um homem e estava alcoolizado. Começou a insultar--me e, não fosse a intervenção do outro elemento da equipa, tinha-me agredido. Foi necessário chamar a polícia". A servir as freguesias de Nossa Senhora da Anunciada e São Julião, as instalações da APACCF já foram vandalizadas. "Colocaram fezes em todo o lado: maçanetas, campainhas, janelas", conta Margarida Jorge, recordando outras situações como "assaltos , carros riscados e muita violência verbal".

STRESS QUANDO PERDEM RSI

O stress é permanente para os técnicos da Ser Alternativa, associação que acompanha 100 famílias com RSI na Tapada das Mercês, Sintra. "A nossa equipa vive sempre com o receio de agressões. As situações de maior stress ocorrem quando as pessoas perdem o direito ao RSI", conta Cristina Calaim, directora. Para aceder ao RSI, as famílias comprometem-se a cumprir um plano: o incumprimento obriga os técnicos a reportar a situação à Segurança Social. "As famílias responsabilizam os técnicos pois é com eles que lidam directamente", explica a directora técnica da associação, Fátima Oliveira.

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