Uma violenta explosão, ocorrida ontem à noite, por volta das 21h15, destruiu por completo um prédio no centro da cidade do Porto causando pelo menos dois mortos e deixando seis pessoas desalojadas, além de ter provocado sérios danos em habitações e estabelecimentos num raio de 100 metros. As características da deflagração levantam suspeitas de que possa ter sido causada por um engenho explosivo.
As vítimas mortais desta explosão seguida de derrocada do prédio situado no Nº. 957 da Rua de Santa Catarina são dois idosos, uma senhora que se encontrava acamada, cujo corpo foi removido dos escombros cerca das 23h00, e o seu marido, cujo cadáver foi recuperado pelos bombeiros por volta das 03h00. Além do casal de idosos, moravam no prédio mais uma senhora, viúva, e dois filhos, que não se encontravam em casa no momento da derrocada.
A explosão ocorreu na Mercearia S. Paulo, no rés-do-chão do edifício e foi ouvida a quilómetros de distância. O Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, admitiu que um engenho explosivo pode ter estado na origem do desabamento. "Foi um impacto muito grande para poder ter sido causado por gás ou um simples cilindro", comentou o autarca, acrescentando que "as pessoas que percebem disto dizem que, em princípio, é um engenho explosivo".
A Rua de Santa Catarina, em plena baixa portuense, não é muito frequentada àquela hora, o que terá minorado danos pessoais, já que os danos materiais são muito elevados, – as montras dos estabelecimentos comerciais e janelas e portas das residências num raio de 100 metros foram literalmente destruídas.
Os estragos causados pela potente explosão em cinco prédios contíguos ao edifício que ruiu obrigaram a que fossem evacuados, com a Câmara Municipal do Porto a ter de realojar seis pessoas, sendo que os restantes moradores conseguiram arranjar residência temporária por meios próprios.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tratou apenas dois feridos ligeiros no local, embora uma equipa de psicólogos fosse destacada para acalmar o pânico que tomou os moradores. Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, e o vereador Rui Sá deslocaram-se ao local para se inteirar do acidente e das suas consequências.
BRIGADA DE MINAS E ARMADILHAS INVESTIGA
A Brigada de Minas e Armadilhas da PSP do Porto começou esta manhã a investigar as causas que motivaram a violenta explosão seguida da derrocada do prédio da Rua de Santa Catarina, no centro do Porto.
As suspeitas de que a deflagração pode ter sido provocada por um engenho explosivo vão ser avaliadas com base nos indícios que vieram a ser recolhidos no local. Para já, os bombeiros consideram prematuro avançar com qualquer suposição, alegando que só depois de retirada parte dos escombros é que será possível perceber a origem da explosão.
Para facilitar os trabalhos no local, nomeadamente a demolição de um prédio contíguo ao destruído pela explosão, que ficou bastante danificado ameaçando ruir, foi cortado o trânsito na Rua de Santa Catarina. Segundo a autarquia portuense, há registo de cerca de 30 prédios que sofreram danos provocados pela deflagração, não só nesta artéria, mas também nas ruas Escola Normal, Gonçalo Cristovão e Sá da Bandeira.
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