Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
4

Viram a morte à frente

Dois agentes da PSP de Lisboa foram atacados com gravidade, ontem de madrugada, por um homem de 20 anos referenciado por outras agressões a polícias. O agressor foi visto a assaltar um transeunte. Quando os agentes surpreenderam o assaltante ele atacou-os e apontou-lhes um revólver carregado e pronto a disparar: só não abriu fogo, porque os agentes conseguiram manietá-lo e tirar-lhe a arma.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Os dois polícias, pertencentes à esquadra da PSP da Rua Miguel Lupi, de serviço à civil, tinham sido destacados para vasculharem toda a zona de Santos. “O objectivo era detectar furtos no interior de automóveis”, disse ao CM fonte da PSP.
Pelas 03h45, na Rua de Santos-o-Velho, os agentes foram alertados pelos gritos de um transeunte que estava a ser assaltado e agredido. Os polícias avançaram decididos a apanhar o assaltante. Identificaram-se. Mas foram imediatamente atacados.
Após uma cena de socos e pontapés, o assaltante sacou de um revólver, de calibre 32, com o tambor carregado com seis munições.
“A arma foi apontada aos polícias, que conseguiram reagir, dominando o agressor e tirando-lhe a arma”, disse aos nossos repórteres a mesma fonte policial.
A detenção do assaltante acabou por ser consumada. No entanto, e devido aos ferimentos que sofreu durante a luta com os polícias, o homem, residente no Bairro da Quinta do Cabrinha, em Alcântara, acabou por ser conduzido ao Hospital de São Francisco Xavier, no Restelo.
Os dois agentes da Polícia de Segurança Pública, com ferimentos nas pernas e nos braços, também receberam tratamento no hospital.
O HOMEM QUE ODEIA POLÍCIAS
O assaltante que sacou do revólver é um velho conhecido da polícia de Lisboa. É agressivo e, pelo menos por duas vezes, atropelou agentes da PSP, deixando-os com ferimentos de alguma gravidade. Tem 20 anos. Está sobejamente referenciado pelas autoridades policiais no Bairro da Quinta do Cabrinha, onde reside, na zona de Alcântara.
Começou cedo na delinquência. Tinha15 anos, foi detido pela PSP a conduzir sem carta nas ruas daquele bairro social. Não tardou a entrar no negócio do pequeno tráfico de droga. Detido várias vezes, acabou por ser levado a Tribunal, onde foi condenado a ridícula pena de prisão.
Voltou ao bairro. A mãe acolheu-o de regresso a casa. Mas o mau relacionamento com a PSP continuou. Ontem, depois de ser detido por agressões a dois agentes, não conseguiu calar o ódio à Polícia. “Foi o caminho todo até ao Hospital a insultar os agentes”, disse ao CM fonte policial.
MAIS DE DOIS MIL GUARDAS AGREDIDOS
Quatro mortos e quase 2799 feridos são os números negros da violência registada pela Direcção Nacional da PSP sobre os seus agentes, desde 1999 (ver infografia). Um número que, segundo os sindicatos, peca apenas por defeito. “Temos conhecimento de vários colegas que são agredidos e que não denunciam a ocorrência”, disse Alberto Torres, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), ressalvando que “este número pode não ser significativo”.
António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, admitiu que o número apresentado pela Direccão Nacional é “realista” embora, disse, “existam situações que não chegam a ser participadas”.
Alberto Torres, dirigente da ASPP, queixou-se também de falta de “programação estratégica” na PSP e reafirmou a falta de meios, nomeadamente de quatro mil agentes nos quadros orgânicos da polícia, o que faz com que algumas esquadras estejam praticamente desertas.
“Como é que se pode entender que os agentes que actuam no Bairro da Cova da Moura, um dos mais perigosos da Grande Lisboa, tenham os mesmos meios que os agentes que actuam no centro da cidade de Lisboa?”, interroga-se Alberto Torres.
O mesmo dirigente sindical disse que se houvesse programação estratégica os agentes obrigados a patrulhar as zonas mais perigosas iriam equipados com coletes à prova de bala e em carros com alguma blindagem, pelo menos contra armas ligeiras.
OUTROS ASPECTOS
REVÓLVER
A arma usada nas agressões contra os dois agentes da PSP de Lisboa era roubada. O revólver, de calibre .32 (proibido a civis) estava carregado com seis balas na altura em que foi apreendido. Há semanas que a PSP andava à procura de pistas sobre o paradeiro da arma. As autoridades desconhecem, para já, como a arma foi parar às mãos do autor das agressões na madrugada de ontem.
FURTOS
A zona de Santos, em Lisboa, está referenciada pelas autoridades policiais por ter elevados índices de furtos no interior de automóveis. Por ordem do comandante da esquadra da Rua Miguel Lupi, responsável pelo policiamento na zona, os dois agentes que foram agredidos patrulharam a zona, tentando identificar autores deste tipo de crimes.
CRIME PÚBLICO
As agressões a agentes da autoridade passaram a ser considerados crimes públicos em 2001 - isto é: o crime não depende de queixa para que haja procedimento criminal contra os seus autores. Os sindicatos, porém, queixam-se de que as penas aplicadas aos agressores são ligeiras.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)