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Correio da Manhã

Portugal
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VIRGENS QUE CHORAM DIVIDEM FIÉIS

Um novo fenómeno, em tudo semelhante à Virgem de Ancas, em Anadia, apareceu há dois dias, na localidade de Oiã, concelho de Oliveira do Bairro. Os romeiros que há cerca de três semanas procuram diariamente a "Santa de Ancas", começaram ontem, a fazer um pequeno desvio de quinze quilómetros para poderem apreciar as duas imagens.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
A segunda imagem a chorar está há quatro anos numa casa em Oiã
A segunda imagem a chorar está há quatro anos numa casa em Oiã FOTO: José Augusto
Os dois locais são agora apontados pelos crentes, que já atingem as largas dezenas diárias, como "a prova de que Nossa Senhora está a fazer um sério aviso às pessoas".
Vários populares que se deslocaram a Ancas e a Oiã, adiantaram ao CM, estarem "cada vez mais impressionados", apontando a hipótese de aparecerem outros fenómenos estranhos nos próximos tempos. Esta era a opinião de várias idosas de um centro social de Alfarelos, que ontem foram de excursão a Ancas, e que punham a hipótese de passar por Oiã, para "comparar as santinhas".
Belchior Costa, o dono da segunda imagem a verter lágrimas de cera é um ex-emigrante na Venezuela que se afirma como "muito crente de Nossa Senhora de Fátima". Tem a estatueta há quatro anos, e apenas se apercebeu da lágrima no olho direito (que chega a cair do queixo) na passada sexta-feira.
"A santinha está a uma altura de três metros, num nicho por cima da porta de entrada, e só confirmei a lágrima quando subi a um escadote e a coloquei cá fora para ver melhor", refere.
O dono da imagem adiantou ao CM que foi um dos milhares de peregrinos a ir ver a Santa de Ancas e que veio de lá "convencido", mas confessa que brincou um pouco com a situação: "Disse à minha mulher que se aquela imagem chorava, também a nossa o podia vir a fazer. Não devia ter brincado com coisas sérias."
Confrontado com a hipótese, já avançada no caso de Anadia, de que o fenómeno pode ser explicado com um sobreaquecimento da parafina que cobre os olhos das estatuetas, Belchior Costa recusa a ideia. "Está lá há vários anos, já passou por Verões quentíssimos e agora que é Inverno é que ia derreter. Parece muito difícil", salienta.
Causas naturais ou sobrenaturais à parte, o que é certo é que as "virgens chorosas", como muitos já lhes chamam, estão a atrair milhares de pessoas à Bairrada, uma região que corre o risco de se transformar num novo espaço de peregrinação religiosa. Pelo menos até que alguém assuma a responsabilidade de analisar as estátuas e apresentar uma explicação cabal para o fenómeno.
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