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Correio da Manhã

Portugal

Vítima não desculpa violador

"Nem que dure 200 anos, nunca o vou perdoar”, sentenciou a mulher que em 10 de Fevereiro último, viúva e então com 49 anos, foi violada por um mecânico de 22, em S. João de Madeira.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
Presente a julgamento, o arguido assumiu a autoria da violação consumada e da tentativa de crime idêntico a uma outra mulher em 4 de Abril e pediu publicamente desculpa às vítimas. “Não consigo explicar o que me passou pela cabeça, foi um impulso que senti de repente, quando vi a senhora”, afirmou o arguido José Brandão Costa, de Arrifana. “Tanto podia ter sido ela como outra, nem lhe olhei para a cara, nem sequer me preocupei se era nova ou velha, bonita ou feia”, acrescentou o arguido.
A vítima, M. L. C., emocionada, descreveu os “momentos de terror” por que passou naquele dia, quando foi atacada pelo homem, junto de um descampado nas proximidades da metalúrgica Oliva.
“Ainda tentei fugir, mas escorreguei e ele agarrou-me por uma perna. De nada valeram as minhas súplicas, ele pôs-se em cima de mim”, contou, aos juízes , por entre lágrimas.
Visivelmente perturbada com as recordações, a viúva explicou o medo e a repugnância que sentiu. “Nunca esqueci a bicicleta azul e o mau cheiro dele”, disse.
PAI DE UMA MENINA QUE NÃO CONHECE
O arguido, José Brandão Costa, de 22 anos, começou a trabalhar aos 12, como servente de pedreiro. Mais tarde, empregou--se como ajudante de electricista e, mais recentemente, numa oficina de reparação de escapes de automóvel. À época dos crimes, vivia maritalmente com uma jovem da sua idade, de quem teve uma filha, que ainda não conhece, porque a sua companheira o abandonou na sequência destes acontecimentos.
Depois de ter estado preso preventivamente em Custóias, foi transferido para a prisão da Polícia Judiciária do Porto, por não haver condições de segurança na anterior cadeia, onde violadores têm vida difícil junto do resto da comunidade prisional.
O violador confesso foi detido após tentar violar uma outra mulher – ontem também no Tribunal –, igualmente em S. João da Madeira, por vizinhos que acorreram aos gritos da vítima, apanhando-o, depois de o perseguirem até ao outro lado da cidade, e entregando-o posteriormente à PSP.
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