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Correio da Manhã

Portugal
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Casos de bullying que chocaram Portugal

CM recorda vítimas de violência física e psicológica.
Cátia Carmo 13 de Maio de 2015 às 18:22
O vídeo das agressões a um jovem na Figueira da Foz chocou o país
O vídeo das agressões a um jovem na Figueira da Foz chocou o país FOTO: DR

Um vídeo que mostra um jovem, que terá 17 anos, a ser agredido por vários colegas, também eles adolescentes, tornou-se viral nesta terça-feira e gerou uma onda de indignação por todo o País. O episódio de violência voltou a chamar a atenção para o fenómeno do bullying. Apesar do mediatismo que este caso tem tido nas últimas horas, não é o primeiro episódio do género em Portugal.

Em 2011, foi divulgado um vídeo no Facebook que mostrava uma jovem a ser violentamente agredida por outras duas raparigas, junto ao Centro Comercial Colombo, em Benfica, Lisboa. À semelhança do que aconteceu ontem, as imagens choraram primeiro os utilizadores das redes sociais e mais tarde o resto do País.

Na altura, os autores do crime – uma jovem de 16 anos e um jovem de 18 – foram detidos pela Polícia de Segurança Pública. Já uma outra jovem, coautora, viu o caso ser remetido para o Tribunal de Família e Menores por ter menos de 16 anos.

Jovem gozado no ‘Ídolos’

Sem envolver violência física, na semana passada voltou a falar-se de bullying. Alexandre Rebelo, de 17 anos, foi humilhado pelo tamanho das orelhas no casting do programa ‘Ídolos’, da SIC. A crueldade psicológica foi tal que o adolescente não quis voltar à escola.

"Não conseguia sair de casa. Tinha vergonha que me gozassem. A única vez em que saí, usei um gorro e um casaco com capuz. Não queria ser reconhecido", adiantou Alexandre Rebelo ao CM, que agora quer a SIC em tribunal.

Perseguição e insultos levam soldado à morte

Em março deste ano, um jovem de 23 anos, das Forças Armadas, suicidou-se por não suportar o gozo e insultos dos outros militares, que o consideravam homossexual. A tortura psicológica foi tal que, a seguir a uma festa, o soldado foi encontrado enforcado no quarto onde dormia.

Fontes militares bem colocadas contaram ao CM, na altura, que o jovem "vivia em sofrimento".

Escola ignora tortura a aluno

Puseram-no em tronco nu no recreio, baixaram-lhe as calças e deram-lhe palmadas no rabo. Estas foram as razões que levaram Nélson Antunes, de 15 anos, a suicidar-se em janeiro do ano passado. Era aluno da EB 2-3 de Palmeira, em Braga.


"A escola teve conhecimento de uma brincadeira no dia 9 e está a averiguar", disse, na altura, Fausto Farinha, diretor do agrupamento.

Crianças faltam às aulas após bullying

Treze alunos de uma turma do 1.º ano da Escola Básica de Valença faltaram vários dias às aulas, em fevereiro do ano passado, por roubos constantes, ameaças e agressões físicas violentas. Os encarregados de educação apresentaram queixas à direção do estabelecimento.

"São três crianças problemáticas, já com oito anos, que não se conseguem adaptar e que aterrorizam o resto da turma. Os nossos filhos choram com medo de ir para a escola", explicou, naquela data, João Paulo Fernandes, o porta-voz dos encarregados de educação.

Jovem corta-se devido a bullying

Uma aluna de 15 anos, de uma escola da cidade de Viseu, automutilou-se, em março de 2014, depois de vários ataques verbais por parte dos colegas.

"Chamam-lhe cabra, macaca e prostituta", referiu a mãe.

Adolescente faz plano para matar 60 pessoas

Gonçalo, um estudante de 15 anos da Escola Secundária Stuart Carvalhais, em Massamá, Sintra, levou para a escola uma mochila que, em vez de livros, tinha cinco facas de vários tamanhos, uma embalagem de gás pimenta, três frascos de álcool, uma caixa de fósforos e dois isqueiros. Esfaqueou três colegas e uma funcionária, no dia 14 de outubro de 2013.

Segundo Pedro Proença, o advogado da família de Gonçalo, o adolescente sentia-se desprezado na escola, onde lhe chamavam "betinho" e "copinho de leite".

Bullying em Portugal acima da média

A média nacional de adolescentes que praticam bullying em Portugal está seis por cento acima da média europeia, de acordo com o relatório Escondido à vista de todos, da UNICEF.


A mesma recolha de dados, divulgada em setembro do ano passado, revelou que metade das raparigas, entre os 15 e os 19 anos, considera normal um marido bater na mulher, sob determinadas circunstâncias.

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