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Correio da Manhã

Portugal
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VÍTOR HUGO SALGADO: ATAQUES NUNCA FEITOS ANTES

Vítor Hugo Salgado, presidente da Associação Académica de Coimbra, critica o ‘pacote’ legislativo sobre o Ensino Superior Público e quer as academias unidas nos protestos:
18 de Maio de 2003 às 00:48
Vítor Hugo Salgado
Vítor Hugo Salgado FOTO: CM
Correio da Manhã - Os protestos estão de volta ao ensino superior. Porque protestam os estudantes?
Vítor Hugo Salgado - Os protestos são uma resposta à estratégia e ao ‘pacote’ legislativo que o Sr. ministro Pedro Lynce se prepara para apresentar, sobretudo no que se refere ao aumento de propinas pelo insucesso escolar e à redução do número de estudantes que ingressam no ensino superior, do número de alunos nos órgãos de gestão das escolas e da autonomia das instituições.
- O aumento das propinas é a questão central?
- Não é a questão central, mas é muito importante, porque poderá custar a desistência de muitos alunos na frequência do ensino superior público. No que toca ao aumento das propinas pelo insucesso escolar é contraditório, porque o Sr. ministro afirma, ao mesmo tempo, que não existe qualidade no ensino superior. Ora, se não há qualidade no ensino superior, como é que podemos responsabilizar os estudantes pelo seu insucesso escolar, já que grande parte das vezes resulta da falta de condições das universidades.
- Considera significativo o aumento das propinas?
- O aumento é substancial. Estamos a falar em 77 euros por mês, o que é significativo, pois torna-se praticamente insustentável para uma família que tenha um aluno deslocado e por isso tenha de pagar renda de casa, água, gás, luz, alimentação, transportes, todas essas despesas.
- Quais vão ser os próximos protestos dos estudantes?
- Está marcada uma greve geral de alunos do ensino superior para o próximo dia 22 e no dia 23 vamos ser recebidos pelo Presidente da República, em Belém. Estão ainda agendados encontros com os grupos parlamentares, na Assembleia da República.
- Existe alguma ‘sintonia’ nos protestos entre as várias associações académicas portuguesas?
- Houve até ao momento uma divergência sobretudo nas questões de fundo, no que toca à estratégia a adoptar. A estratégia para uns era aguardar que saísse a legislação, aguardar que se tornasse de certa forma concreta e objectiva, enquanto outros anteviam desde logo esta situação. Mas a partir do momento em que foi concretizada e apresentada, acho que tem de haver uma uniformidade.
- Porquê?
- Se não houver, neste momento, uniformidade e um trabalho conjunto por todas as associações académicas do ensino superior público, nunca haverá um novo ensino superior em Portugal, porque os ataques que estão a ser feitos nesta altura são ataques que nunca foram feitos e merecem uma palavra forte de todos e não apenas só de alguns dirigentes associativos. E de todas as academias e não apenas e só de algumas academias.
- A greve geral vai permitir aferir se há ou não uniformidade?
- Acho que vai distinguir-se verdadeiramente quem é que está a apostar em defender os estudantes que representa ou não.
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