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Correio da Manhã

Portugal
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Versão de rapto em pijama desmentida por ida às compras

Rosa, quando diz que estava sob sequestro dos homicidas do marido, levantou dinheiro num ATM.
Tânia Laranjo e Henrique Machado 24 de Outubro de 2018 às 01:30
Rosa Grilo
Rosa Grilo nunca assumiu o homicídio do marido
Rosa Grilo à chegada ao Tribunal de Vila Franca de Xira
Rosa Grilo
Rosa Grilo, António Joaquim, Campus de Justiça
Rosa Grilo, António Joaquim, tribunal
Rosa Grilo publicou foto abraçada ao marido duas semanas depois de o ter assassinado na casa onde viviam
Rosa Grilo
Rosa Grilo nunca assumiu o homicídio do marido
Rosa Grilo à chegada ao Tribunal de Vila Franca de Xira
Rosa Grilo
Rosa Grilo, António Joaquim, Campus de Justiça
Rosa Grilo, António Joaquim, tribunal
Rosa Grilo publicou foto abraçada ao marido duas semanas depois de o ter assassinado na casa onde viviam
Rosa Grilo
Rosa Grilo nunca assumiu o homicídio do marido
Rosa Grilo à chegada ao Tribunal de Vila Franca de Xira
Rosa Grilo
Rosa Grilo, António Joaquim, Campus de Justiça
Rosa Grilo, António Joaquim, tribunal
Rosa Grilo publicou foto abraçada ao marido duas semanas depois de o ter assassinado na casa onde viviam
A versão de Rosa Grilo, em primeiro interrogatório judicial, é muito frágil. A história de rapto que a viúva dá – para contrariar a tese de que foi ela a homicida do marido, em cumplicidade com o amante – é de imediato contrariada pelas localizações celulares e levantamentos de multibanco.

Diz que foi levada pelos raptores na segunda-feira, 16 de julho, até Benavila, em Avis, onde vive a família - e onde estariam escondidos diamantes – mas o telemóvel, que disse ter sempre com ela, nunca deu outras localizações celulares fora de Alverca e de Cachoeiras, em Vila Franca.

Outra contradição: o rapto, segundo ela, ocorreu antes da hora de almoço, mas nessa altura Rosa fez uma compra no Pingo Doce e um levantamento em Alverca. A mulher diz que os dois raptores a deixaram sair do carro para ir ao supermercado, quando estava de pijama.

A versão é de tal forma confusa que nem a procuradora consegue perceber no interrogatório como é que Rosa nunca pediu ajuda. Sendo certo que no Pingo Doce há sempre um elemento da PSP, a quem poderia ter avisado que o marido estava raptado em casa.

E sem sentido também é o facto de Rosa ter respondido por mensagem, durante o rapto, a um funcionário da empresa que era do marido.

A viúva disse à procuradora que estava na parte de trás do carro de vidros escuros, sempre pressionada pelos homicidas, mas não explica porque a deixaram mandar SMS e ela nunca tentou pedir ajuda.

A fragilidade do depoimento é ainda marcada pela descrição pouco indiciadora dos atacantes. A mulher não dá um único elemento que permita à PJ identificar os homicidas. Diz que Luís Grilo há oito anos que negociava diamantes com aqueles homens, dos quais recebia em dinheiro, mas ela apenas sabe que eles moravam em Angola.

Não sabe qual arma fez o disparo que matou triatleta     
Rosa Grilo não sabe qual foi a arma usada para matar o triatleta. É essa a versão que deu quando foi presa e que foi alterada depois na carta que enviou ao CM. Aí diz que Luís Grilo não foi morto com a arma do amante. Já conhece o relatório inconclusivo.

Miúdo desmente mãe e diz que andou pela casa toda   
O menino disse às autoridades que, no dia em que o pai desapareceu, ele andou pela casa e não viu ninguém estranho.

Rosa garantia que o menor nunca tinha saído da sala e que por isso não tinha visto o atacante que ainda se encontrava no interior. O menor assegurou que não e disse que foi a mãe que depois lhe contou que o pai tinha saído de bicicleta.

Limpa chão e deita de imediato fora roupa com sangue  
A versão de Rosa é pouco consistente. Diz que antes do filho chegar, na segunda-feira, limpou o chão da cozinha e deitou fora o seu pijama, que estava cheio de sangue. Foi com esse pijama que Rosa andou sempre na rua, sem chamar à atenção.

Autópsia desmente agressões a morto 
Rosa garantia que o marido tinha sido espancado - as notícias dos jornais davam conta disso mesmo. Não soube responder quando a procuradora a confrontou com o facto de não haver qualquer agressão. Afinal, só havia marcas de um único tiro.

PORMENORES 
Tráfico de diamantes
Rosa diz agora que o marido traficava diamantes e estava metido em negócios escuros. A Polícia Judiciária não acredita na versão.

Foi de férias
Rosa e o amante, António, foram passar três fins de semana fora, enquanto o corpo não aparecia. Foram ao Festival de Paredes de Coura.

Jipe na casa dele
O jipe do marido de Rosa estava em casa de António Joaquim. Foi alvo de perícias, mas as autoridades nada encontraram de relevante.
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