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Correio da Manhã

Portugal
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Wellington sai em 2013

Wellington Nazaré, autor sobrevivente do sequestro dos dois funcionários do BES, na tentativa de assalto à dependência de Campolide, Lisboa, em Agosto do ano passado, viu ontem à tarde o tribunal aplicar-lhe 11 anos de prisão efectiva. Mas, na prática, o ladrão brasileiro pode sair da cadeia já em 2013, quando cumprir metade da pena.
8 de Julho de 2009 às 00:30
Wellington Nazaré quando ameaçava com uma arma os dois reféns no BES de Campolide
Wellington Nazaré quando ameaçava com uma arma os dois reféns no BES de Campolide FOTO: Mário Cruz/Lusa

A liberdade condicional pode assim ser-lhe concedida ao fim de quatro anos e meio, descontado quase um ano de cadeia que já cumpriu em preventiva. Só se o Tribunal de Execução de Penas decidir que Wellington apenas tem direito a requerer a condicional ao fim de dois terços da pena é que o brasileiro cumpre sete anos, saindo em 2016.

O assaltante, que durante toda a onda de crimes violentos no Verão passado causou aquela com maior alarme social, foi condenado por sequestro simples de seis pessoas, entre funcionários e clientes – e roubo consumado. Ao todo, podia ter apanhado 15 anos pelo roubo e mais dois anos por cada pessoa sequestrada – o que poderia dar, em abstracto, condenação à pena máxima: 25 anos.

De resto, o próprio advogado João Martins Leitão confessou ao CM que "sinceramente esperava bem pior, dado o impacto que os acontecimentos tiveram na sociedade".

O brasileiro, que deverá cumprir a pena em Portugal, passado esse tempo é expulso e não poderá regressar nos oito anos seguintes. Wellington foi ainda condenado a pagar uma indemnizações de quinze mil euros ao banco e de dez mil euros aos funcionários Ana Antunes e Vasco Mendes. Valores que, segundo o juiz, são "mais do que justos e nada exagerados, dado o impacto negativo que este acontecimento teve na vida das vítimas".

PORMENORES

VIDA DAS VÍTIMAS

Durante a leitura da sentença, o juiz lembrou as perturbações psicológicas nos funcionários do BES Ana Antunes e Vasco Mendes, que os "impede de levarem uma vida normal". Referiu também a "ilicitude elevada dos crimes".

ROUBO CONSUMADO

No início do julgamento, Wellington estava a ser julgado pelo crime de roubo na forma tentada, mas a meio o colectivo de juízes decidiu mudar a qualificação para roubo consumado, uma vez que os ladrões chegaram a tirar o dinheiro do cofre.

ADVOGADO VAI RECORRER

João Martins Leitão, advogado de defesa do sequestrador, admitiu que pode vir a recorrer da pena aplicada, embora não se mostrasse descontente com a decisão do juiz.

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