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Correio da Manhã

Portugal
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WOODSTOCK INFORMÁTICO ATRAIU 1500 CIBERNAUTAS

Mais de 1500 cibernautas despedem-se hoje do Estádio Municipal de Braga, onde durante cinco dias participaram numa autêntica maratona informática, desfrutando do acesso a uma rede de banda larga com uma velocidade de comunicação única em Portugal (465 Mbps).
1 de Agosto de 2004 às 00:00
Participantes vindos de todas as regiões do País e afluíram ao Estádio
Participantes vindos de todas as regiões do País e afluíram ao Estádio FOTO: Mário Fernandes
Tratou-se da quarta edição do ‘Minho Campus Party’ (MCP), considerado por muitos uma espécie de ‘Woodstock’ das novas tecnologias, já que, à semelhança do mítico festival de música, também tem uma cultura muito própria e não tem limites de idade, tendo atraído entusiastas e curiosos com idades compreendidas entre os 5 e os 50 anos.
A originalidade do espaço, situado precisamente por baixo do relvado do novo Municipal bracarense e a singularidade do equipamento constituído por um total de 15 mil metros de fibra óptica e outros 40 mil de cabo de rede, justificam por si a capacidade atractiva do evento, que este ano “ultrapassou as expectativas da organização”, a cargo da Associação Industrial do Minho (AIMINHO).
O espírito de festa e bom humor dos participantes, manifestado através de constantes gritos ‘wasaaa’, a palavra que os cibernautas usam para manifestar a sua satisfação quando vencem uma competição, contribuem também para o sucesso.
Foi esta cultura própria que atraiu Paulo Elias, um estudante de Economia de 20 anos, que confessou ao CM ser já um ‘habitué’ no MCP.
“Vim no ano passado e gostei. Este ano, resolvi repetir para desenvolver as minhas aptidões e conhecer pessoas com os mesmos interesses”, explicou.
Este entusiasmo estende-se aos elementos da organização, como Ricardo Salgado, da AIMINHO, que encara o MCP como “um meio de captar investimentos, de promover a capacidade tecnológica da região em vários pontos do País e estrangeiro e de apresentar inovações na área”.
CAÇADORES DE TALENTOS VIGILANTES
Um cibernauta pode entrar neste encontro para se divertir e acabar por sair com um emprego. É que entre os jogadores estão ‘caçadores de talentos’, ou seja, profissionais atentos que participam em eventos exclusivamente para contratar os jovens mais promissores.
Uma das empresas que enviou caçadores foi, apurou o Correio da Manhã, a Portugal Telecom. Estes olheiros estão disfarçados, mas uma das formas de os detectar é pelo interesse que demonstram nas jogadas dos outros. Ou pelas perguntas. Mas a forma de seleccionar varia em função das áreas em causa.
Se a criatividade, por exemplo, exige observação, já a programação envolve meios mais sofisticados. Assim, os concursos são o meio escolhido para avaliar as potencialidades para a programação. De acordo com o que o CM apurou, só o facto de alguns jovens ultrapassarem determinados testes, já é um indicador de que “interessam como programadores”.
Por vezes, há mesmo mais do que uma empresa a disputar o mesmo jovem que, alheios a estas ‘guerras’, optam por aquela que os contacta em primeiro lugar.
CURIOSIDADES À SOLTA NO 'MINHO CAMPUS PARTY'
O MAIS PEQUENO
Bruno Ferreira, de cinco anos, é o mais novo cibernauta do MCP 2004. Ainda não sabe ler, mas já é fã dos jogos do ‘Harry Potter.
‘TUNNING’
No MCP há várias manifestações de ‘tunning’ informático, desde computadores com desenhos, luzes, ventoinhas e até aquários.
CASA NO ESTÁDIO
Além da tenda, obrigatória nestes dias, há quem tenha levado a cadeira em que trabalha em casa, peluches e até o microondas.
CANAL DE TV
O evento conta com um canal de televisão interno, o MCPTV, que tem uma programação própria, emitida em ecrã e internet.
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