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Correio da Manhã

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Yannick Djaló relembra dia da morte da irmã em tribunal: "Durante o treino corriam-me as lágrimas"

Jogador estava a treinar na Tailândia quando soube que Açucena tinha sido vítima de um brutal atropelamento.
Beatriz Madaleno de Assunção(beatrizassuncao@cmjornal.pt) e Raquel Simões 14 de Outubro de 2019 às 13:21
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Jogador estava a treinar na Tailândia quando soube que Açucena tinha sido vítima de um brutal atropelamento.
Quando foi preso, Abel Fragoso, que começou esta segunda-feira a ser julgado no Tribunal de Almada, garantiu que estava "cego" – tinha sido agredido dentro de um bar por elementos de um grupo rival, no recinto onde decorriam as festas da Moita. Os amigos tinham-se afastado e o jovem sentiu-se humilhado. 

Abel, de 22 anos, começou esta segunda-feira a ser julgado em Almada por 17 homicídios qualificados (um consumado e os outros na forma tentada) e por condução perigosa.

No primeiro interrogatório judicial, Abel Fragoso garantiu que não tinha intenção de atropelar ninguém. Explicou que apenas queria ir falar com os dois jovens que o tinham esmurrado depois de um encontrão num café, mas nunca conseguiu convencer os magistrados. Garantiu que estava apenas a estacionar quando atingiu a jovem Açucena, de apenas 17 anos.

No entanto, esta segunda-feira, o arguido mudou a sua versão dos acontecimentos. Abel Fragoso já foi ouvido e afirmou que naquela noite ter-se-á desencontrado dos amigos no bar 'Mau-Maria' e que, numa tentativa de ir buscar a carteira ao carro, foi esmurrado e pontapeado por um grupo de pessoas. 

O jovem que naquela altura era recém-encartado (dois meses de carta) avançou ainda que decidiu ir para casa, passando pelo local onde a irmã de Yannick morreu não mais do que a 20 ou 30 quilómetros por hora - contrariando a versão dos elementos da Guarda que ainda esta segunda-feira garantem que Abel passou naquele local a mais de 50 km/h.

Abel Fragoso mencionou que no primeiro interrogatório mentiu, tendo sido aconselhado pela sua advogada a proferir a afirmação "Se os visse, atropelava-os". Nesta sessão, repleta de incongruências, Abel disse estar "arrependido" por ter causado dor às pessoas, mas declarou que o atropelamento de Açucena foi originado pelo despiste acidental do carro que conduzia, em consequência do pavimento ser de areia/ terra.

Recorde-se que o jovem tinha haxixe e álcool no sangue quando foram feitos exames.

Yannik Djaló chora morte da irmã
Djálo esteve esta segunda-feira presente em Tribunal enquanto assistente no processo e avançou que nada voltou a ser o mesmo na sua vida.

"Acordo muitas vezes durante a noite", afirmou o jogador, contando como foi difícil o dia em que soube que a irmã mais nova tinha morrido. "Durante o treino corriam-me as lágrimas (...) o clube não queria que fosse para Portugal".

Djaló avançou ainda que se mantém afastado do futebol para conseguir apoiar o irmão João, que estava com Açucena na noite da morte da menor e foi testemunha do crime.

GNR contraria versão de Abel
Dois dos militares da GNR que presenciaram o atropelamento de Açucena falaram esta segunda-feira em tribunal, negando a versão de Abel (quando diz que se deslocava a 20/30 quilómetros hora e negou ter feito marcha-atrás para fugir).

Os militares garantem que o jovem passou muito perto deles, e a uma velocidade superior a 50 km/hora.
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