Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

Zona árida triplicou em dez anos

A desertificação dos solos em Portugal atinge hoje 36 por cento do território, segundo a associação ambientalista Quercus. Uma realidade que coloca o País entre os três piores da Europa.
18 de Junho de 2007 às 00:00
Zona árida triplicou em dez anos
Zona árida triplicou em dez anos
Segundo as últimas análises realizadas pela Agência Espacial Europeia (ESA), no projecto ‘Desert Watch’, com base em imagens obtidas por satélite, Portugal, Itália e Turquia são os mais atingidos pela degradação dos solos.
Devido ao avanço das zonas áridas, a ESA alerta para a perda de produtividades dos recursos florestais em Portugal. A floresta representa exportações no valor de 2,9 mil milhões de euros, ou seja, cerca de 10% do total, o que vale duas vezes as exportações da fábrica de automóveis Autoeuropa. Segundo a agência espacial verifica-se uma perda global contínua de produção no Sul e Interior, não existindo, contudo, um cenário de catástrofe.
Nos últimos dez anos, houve um crescimento galopante da degradação dos solos no País. Paula Silva, dirigente da Quercus, sublinha que de acordo com o relatório da Comissão Europeia para a Elaboração de uma Estratégia para a Protecção dos Solos, a área com uma sensibilidade elevada à erosão em Portugal era em 1999 de 11%, atingindo em 2004, data do relatório, os 28%. Hoje, a Quercus estima que esse valor atingiu os 36%. Mas, há estudos mais pessimistas. A World Wild Found/Adena estima que 43% de Portugal sofre de desertificação, valor semelhante ao de Espanha, com 41%.
O DesertWatch indica que os concelhos de Idanha-a-Nova, Penamacor (Beira Baixa) e de Mação (Ribatejo), bem como o Sotavento do Algarve são áreas de intervenção urgente. O Interior alentejano e o Nordeste trasmontano são outras áreas de risco. Segundo o que CM apurou, existem alguns projectos - piloto da responsabilidade do Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação, organismo criado em 1999, mas que não consegue estancar o avanço deste fenómeno. Os resultados da ESA foram ontem divulgados, no Dia Mundial da Desertificação e da Seca, que em Sevilha marcou o arranque do Fórum Internacional da Seca.
CAUSAS PARA A DEGRADAÇÃO DOS SOLOS
INCÊNDIOS
Os incêndios são a principal causa para a degradação dos solos em Portugal. A exposição da terra aos efeitos erosivos do clima leva ao de- saparecimento dos nutrientes e ao aparecimento do tipo de vegetação que arde com maior facilidade.
AGRICULTURA
O recurso a más práticas agrícolas ou actividades insustentáveis para os solos são outras das causas para a desertificação. Hélder Spínola, dirigente da Quercus, lembra as campanhas de trigo que arruinaram parte do Alentejo.
SECA
As alterações climáticas contribuem para uma tendência de redução da precipitação em Portugal. Apesar de este ano o país estar com 90% da pluviosidade dos últimos 50 anos, em 2005 registou a pior seca dos últimos 100 anos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)