Juiz do julgamento deu ao advogado de defesa da mulher, Kevin Reddington, que se opõe ao processo, uma hora para recorrer da decisão, uma tentativa que foi negada pelo juiz do Supremo Tribunal de Massachusetts.
Juiz anula julgamento no caso Lindsay Clancy e dá uma hora à defesa para recorrer
AP
O julgamento de Lindsay Clancy, a mulher acusada de estrangular os três filhos menores até à morte, foi esta sexta-feira anulado por um juiz de Massachusetts, EUA, após o júri não chegar a acordo. O juiz deu ao advogado de defesa da mulher, Kevin Reddington, que se opõe ao processo, uma hora para recorrer da decisão, uma tentativa que foi negada pelo juiz do Supremo Tribunal de Massachusetts, avança a NBC News.
Este júri, composto por 12 elementos, comunicou ao juiz William Sullivan que não conseguia chegar a um consenso sobre a condenação da mulher de 36 anos, acusada de homicídio. Na ausência de um veredicto, o juiz procedeu à anulação. "É com grande pesar que informamos que não conseguiremos chegar a uma decisão unânime", disse.
Recorde-se que o julgamento dura há quase cinco semanas e já foram ouvidas cerca de 85 testemunhas, explica o New York Post.
Foi no quarto dia de deliberações que o júri comunicou pela primeira vez ao juiz que se encontrava num impasse, mas o mesmo disse-lhes para continuarem a deliberar. No dia seguinte, após quase 28 horas de deliberações, o júri emitiu uma nova nota, onde dava conta de que continuava a não ser possível chegar a uma decisão unânime, tendo o juiz instruído o grupo a deliberar novamente.
Um dia mais tarde, na quinta-feira, o júri enviou mais uma nota ao juiz. Desta vez, informaram que terá sido um único jurado que "se recusa a seguir a lei", no que diz respeito à instrução do juiz sobre a dúvida razoável, no entanto, Kevin Reddington não conseguiu que a pessoa em questão fosse excluída do grupo.
Esta sexta-feira o advogado defendeu que este membro do júri deveria ser interrogado individualmente pelo juiz, pedido que foi rejeitado pelo mesmo.
O que acontece depois de o julgamento ser anulado por falta de acordo entre o júri?
A decisão de anulação não concede liberdade automática à ex-enfermeira, em vez disso, a mulher permanecerá sob custódia no Hospital de Tewksbury, enquanto a Procuradoria do Condado de Plymouth decide qual o próximo passo. As opções dos procuradores passam por levar Lindsay a julgamento uma segunda vez, tentar negociar um acordo de confissão ou retirar completamente as acusações.
Reddington já tinha indicado que se o caso fosse levado a um novo julgamento, o promotor distrital de Plymouth, Timothy Cruz, poderia optar por reduzir as acusações para homicídio em segundo grau. Este cenário hipotético permitiria que Lindsay escolhesse um juiz em vez de um juri para supervisionar o julgamento. Visto que está acusada de homicídio em primeiro grau, esta opção não lhe foi concedida.
Lindsay Clancy é acusada de estrangular até à morte os três filhos menores em 2023, em Massachusetts, um caso que tem retido atenções em todo o mundo. Um dos temas abordados durante o julgamento foi a saúde mental materna, principalmente no pós-parto, uma vez que os advogados da mulher argumentam que a mesma sofria de uma psicose pós-parto quando terá matado Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses.
A mulher encontra-se no Hospital de Tewksbury há três anos, depois de se ter atirado de uma janela e ter ficado paralisada da cintura para baixo.
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