Médicos exaustos desvalorizam doentes
39 por cento dos profissionais reconhecem que tratam utentes com distanciamento e frieza.
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Os jovens médicos, particularmente os internos e os que trabalham nas urgências, são os que se sentem mais distanciados do doente (despersonalização), mais exaustos e profissionalmente menos realizados – três indicadores de ‘burnout’. A conclusão é de um inquérito, pedido pela Ordem dos Médicos, no qual 66% dizem estar em exaustão emocional, devido à falta de recursos e condições de trabalho.
"Os jovens médicos estão sujeitos a uma enorme sobrecarga de trabalho, a uma imensa privação de sono. Sentem-se afastados da sua profissão e dos próprios doentes. É um mecanismo de defesa que às vezes se traduz por uma certa frieza relativamente aos doentes e que resulta de toda a pressão a que estão sujeitos", explica ao CM o bastonário da Ordem dos Médicos, referindo-se apenas ao indicador despersonalização (39%).
José Manuel Silva afirma que os profissionais em formação "não podem ser encarados como uma força de trabalho a que se recorre para tapar buracos".
Para a investigadora Alexandra Marques Pinto, da Universidade de Lisboa (realizou o inquérito), quanto "maior for a despersonalização, maior é a probabilidade de erro médico". Quanto ao indicador realização profissional, o estudo conclui que 30% estão insatisfeitos. "Há médicos que, se pudessem voltar atrás, escolhiam outra profissão", diz o bastonário.
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