Notificados 46 casos de sarampo
Entre 10 mil a 15 mil crianças não estão vacinadas.
Até às 16h00 de ontem foram notificados à Direção-Geral da Saúde 46 casos de sarampo desde o início do ano. Destes, 21 casos foram confirmados laboratorialmente no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e 15 situações estão ainda em investigação. Aos restantes 10 doentes foi excluído o diagnóstico.
Documentos
2017-04-20_01_31.58 InfoSarampo.pdf
Segundo o diretor-geral da Saúde, Francisco George, estima-se que "10 mil a 15 mil crianças" não estejam vacinadas, uma situação que atinge "três a cinco por cento" dos bebés que nascem por ano.
Segundo a DGS, 13 casos de sarampo ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, 7 no Algarve e um no Norte. A maioria dos casos ocorreu em adultos com mais de 20 anos (13 doentes). Sete crianças contraíram o vírus do sarampo: quatro com menos de 12 meses e três até aos quatro anos. O outro caso era o de Inês Sampaio. Duas crianças permanecem internadas. Do total de doentes, 12 (57%) não estavam vacinados e nove eram profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e auxiliares). Destes, dois não têm registo de vacinação.
As autoridades de saúde continuam a investigar a origem do surto, que teve início a 27 de março na Urgência Pediátrica do Hospital de Cascais, onde um bebé de 13 meses contagiou a jovem Inês Sampaio, de 17 anos, e quatro profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e auxiliares. O bebé melhorou e teve alta e os profissionais estão em isolamento em casa. Cinco pessoas que contactaram com o bebé foram chamadas para fazer terapêutica profilática.
Ministro recusa-se a julgar os paisO ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, recusou responsabilizar os pais pela morte da jovem de 17 anos. "A última coisa que faremos perante uma família em sofrimento é fazer juízo de valor comportamental de pai ou de mãe."
Alunos devem cumprir quarentena de 21 dias A Direção-Geral da Saúde aconselha o afastamento temporário, por 21 dias, de todas as pessoas não vacinadas que frequentem escolas e que tenham tido contacto com alguém com sarampo em fase de contágio.
Esta informação consta de uma orientação assinada por Francisco George e que ontem foi enviada para a comunidade educativa. A mesma circular alerta para o facto de caber aos delegados de saúde verificar se houve contacto com pacientes e sugerir a vacinação. "Nestes casos, e perante a recusa da vacinação de qualquer membro da comunidade escolar, em situação de pós-exposição, aconselha-se a não frequência da instituição durante 21 dias após o contacto".
Deve ser também, no ato da matrícula na escola, verificado se as vacinas dos alunos estão em dia. Caso essa situação não se verifique, os pais "devem ser aconselhados a ir ao centro de saúde para atualização". Ao CM, o Ministério da Educação explicou que as escolas não podem impedir a matrícula de um aluno que não tenha as vacinas em dia.
Exigir vacinas "não é questão premente"O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou ontem que a exigência do boletim de vacinas em dia para as matrículas nas escolas "não é uma questão premente" neste momento e que o surto "tende a estabilizar".
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