Sindicato acusa ULS Alto Ave de impor trabalho suplementar nos centros de saúde
Sindicato garante que vai manter a greve convocada até 30 de junho caso não existam negociações.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou este sábado a ULS Alto Ave (ULSAA) de impor trabalho suplementar nos cuidados de saúde primários e prometeu manter a greve convocada até 30 de junho caso não existam negociações.
"Quando um conselho de administração falha no planeamento e tem uma atitude intransigente, tenta impor trabalho extraordinário como regra, quem sofre são sempre os utentes que depois acabam nas urgências hospitalares, em vez de serem acompanhados pelas suas equipas nos centros de saúde. Esta greve é, acima de tudo, para proteger os utentes", disse à agência Lusa a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá.
Para a dirigente, que esteve no sábado à porta do Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães (distrito de Braga), "o trabalho é extraordinário" pelo que "não pode ser substituído por organização e planeamento".
"As consultas no dia-a-dia nos centros de saúde não podem ser feitas à custa da exaustão médica sem garantir qualidade, nem segurança. Se nós tivermos cuidados de saúde primários fortes, médicos de família a trabalhar bem em equipa, evitam-se idas desnecessárias às urgências", acrescentou.
O SMN entregou, a 05 de fevereiro, um pré-aviso de greve que determina a paralisação total do trabalho suplementar nos cuidados de saúde primários da ULS Alto Ave, em Guimarães.
"Os médicos abrangidos pelo aviso prévio paralisarão a sua atividade profissional entre as 00:00 do dia 19 de fevereiro de 2026 e as 24:00 horas do dia 30 de junho de 2026", adiantou a estrutura sindical em comunicado, recusando qualquer prestação de trabalho extraordinário "seja ele em que condições for, em período diurno ou noturno, dia útil ou dia não útil".
A greve abrange "todos os médicos, independentemente do grau, função ou vínculo".
À Lusa, Joana Bordalo e Sá disse saber que o Serviço Atendimento Prolongado (SAC) de Guimarães "está totalmente encerrado devido a esta greve" e que "outros serviços também estão a trabalhar com constrangimentos".
Joana Bordalo e Sá acusou o conselho de administração de tentar "coagir" os profissionais e de "ameaças com processos disciplinares" e garantiu que a greve vai manter-se "caso não exista uma atitude diferente" por parte da administração desta ULS.
"A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, também tem neste momento responsabilidade, porque sabe da situação. Se não resolver, vai ser conivente com tudo isto que está aqui a passar", concluiu a presidente do SMN.
A agência Lusa contactou a ULS Alto Ave e aguarda resposta.
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