Asma afeta 700 mil pessoas em Portugal
Presidente da Associação Asma Grave lamenta que doentes sejam "tratados como outros quaisquer" e pede mais literacia.
Não há números certos, até por ser uma doença com sintomas distintos entre doentes, mas a asma já afeta cerca de 700 mil pessoas em Portugal. A estimativa é feita ao CM por Ana Gonçalves, presidente da Associação de Asma Grave, que explica que, desta população total, “entre 5 a 10%” tem asma considerada grave, “ainda mais subdiagnosticada”.
Este diagnóstico “demora bastante tempo”, o que dificulta a deteção precoce da doença. Caracterizada pela dificuldade em controlar as crises e os sintomas, a asma grave “só costuma ser detetada depois de testar todos os métodos e tratamentos”.
Falando ao CM por ocasião do Dia Mundial da Asma, celebrado esta terça-feira, Ana Gonçalves lamenta que ainda haja “pouca literacia” sobre a área. No entanto, sente que “está a existir um ponto de viragem”, por se falar mais da doença e serem criadas “várias unidades multidisciplinares” focadas na asma.
Asma grave é "ainda mais subdiagnosticada" que a ligeira.
No entanto, a responsável lamenta que ainda haja algum estigma à volta da doença: “Como tem sintomas invisíveis ou muito díspares entre doentes, na maior parte dos casos, quem vive com asma é que sofre. Muitas vezes são diagnosticados com ansiedade ou cansaço.” Pede, por isso, que “haja uma sensibilidade maior para estes casos, para que a população aprenda a reconhecer os sintomas”. Isto ajudaria a que o diagnóstico da asma “fosse mais precoce”, permitindo atacar a doença mais cedo.
Segundo Ana Gonçalves, o Governo pode fazer mais, sobretudo no reconhecimento das incapacidades causadas pela doença. “As pessoas com asma, e asma grave, são tratadas como outras quaisquer. A comparticipação na medicação é a normal. Gostávamos muito que fossem criadas condições mais favoráveis para quem vive com a doença”, remata.
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