400 mil casas sem luz durante dois dias
A meio da tarde de ontem havia 408 mil clientes da E-Redes sem energia elétrica. Em vários concelhos havia falhas de telecomunicações e no abastecimento de água. Passagem da 'Kristin' deixou seis vítimas mortais. Governo decretou estado de calamidade.
A meio da tarde de quinta-feira ainda havia 408 mil clientes da E-Redes sem energia elétrica, quase 48 horas depois da passagem da depressão ‘Kristin’ por Portugal continental. As telecomunicações continuam a ser afetadas em vários concelhos, bem como o abastecimento de água. O distrito de Leiria é o mais afetado - 290 mil casas continuavam sem luz às 15h30 -, seguindo-se Santarém (42 mil), Coimbra (34 mil), Portalegre (27 mil) e Castelo Branco (11 mil). A passagem da ‘Kristin’ - que atingiu os 208,8 km/h, numa rajada registada em Soure, e que é o novo máximo de velocidade do vento registada em Portugal - derrubou 61 postes de muito alta tensão, 450 de alta e média tensão e danificou 24 subestações, segundo a E-Redes. Hospitais e centros de saúde são alguns dos serviços mais afetados pela falta de energia e de água. Vários centros da ULS Lezíria estavam a funcionar com constrangimentos, tal como na região Oeste. OCentro de Saúde da Moita esteve encerrado. Na Azambuja, o lar da Misericórdia local continuava onquinta-feira em sem energia elétrica, o que impedia o aquecimento, confeção de alimentos, banhos quentes ou o simples levantamento das camas.
A passagem da ‘Kristin’ deixou um rasto de destruição e fez seis vítimas mortais, duas das quais em Carvide, Leiria. Um dos mortos foi Ricardo Teodósio, pintor da construção civil, de 38 anos. Morreu ao ser atingido por um painel sanduíche, quando estava com o pai, Fernando, a tentarem salvar uma autocaravana, num anexo da moradia. Mesmo ferido, Fernando foi a duas corporações de bombeiros pedir ajuda, mas quando o socorro chegou, o filho já estava morto. Fernando acabou por ser levado ao hospital de Leiria. Ricardo Teodósio deixa viúva e um filho menor.
Só quinta-feira, mais de 24 horas após a destruição que se abateu no País, é que o Governo declarou a situação de calamidade, pelo menos até domingo, em 60 concelhos . Os agentes de proteção civil têm legitimidade para aceder à propriedade privada, na área abrangida, bem como a utilizar recursos naturais ou energéticos privados, “na medida do estritamente necessário” para ações destinadas a repor a normalidade.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt