Acampada de Lisboa estima participação de 25 mil pessoas na manifestação pela habitação
Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
A Acampada de Lisboa estimou este sábado a participação de 25 mil pessoas na manifestação pelo direito à habitação, que começou no Marquês de Pombal e terminou no Rossio, que pelas 19:30 ainda se mantinha repleto de gente.
"Se calhar estão aqui 25 mil egoístas", apontou João Veloso, um dos porta-vozes da Acampada de Lisboa, numa alusão a declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD).
Questionada pela Lusa, a PSP recusou avançar o número de pessoas presentes na manifestação, mas admitiu que estavam milhares.
O porta-voz João Veloso falava no arranque da assembleia popular da Acampada de Lisboa, que começou pouco depois das 19:00, com milhares de pessoas em frente à estátua D. Pedro IV, enquanto na parte de trás estão já dezenas de tendas montadas.
Em cima da estátua estão dezenas de jovens empoleirados, com a cara meio tapada, erguendo cartazes com frases de protesto, bem como cravos e lenços que simbolizam a luta da Palestina.
O porta-voz João Veloso apelou à mobilização para uma greve geral ibérica pela habitação e contra o capital.
"Consigamos derrubar o Montenegro", disse.
Antes do arranque da assembleia popular, ouviram-se cânticos populares, no centro da Praça do Rossio, em frente ao palco da organização da Acampada de Lisboa.
"Acorda Montenegro, o povo não tem medo", gritaram os manifestantes, tendo-se depois ouvido a "Grândola, Vila Morena", a música que é símbolo da Revolução de Abril de 1974.
"25 de Abril sempre, fascismos nunca mais", reforçaram.
Depois da assembleia popular, está programado um momento musical, a partir das 21:00, com a atuação de Fado Bicha, Lbc Soldjah, Xullaji, Scúru Fitchádu e Valete & Amigos.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
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