Acampada do Porto nega contactos com Pedro Duarte além do convite inicial

Presidente revelou, esta sexta-feira, estar numa fase bastante avançada de "contactos muito cordiais" com o Movimento pela Habitação que está, desde 10 de outubro, em protesto na cidade.

23 de outubro de 2026 às 21:15
Pedro Duarte Foto: Estela Silva/Lusa
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A Acampada do Porto negou os contactos classificados esta sexta-feira pelo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, como "muito cordiais", existindo apenas com o coletivo o convite formal inicial.

"Nós, enquanto coletivo organizado horizontal com as nossas estruturas organizativas, não temos nenhum contacto, além do convite formal que ele nos enviou antes", disse esta sexta-feira à Lusa Sérgio Bastos, membro do grupo de imprensa da Acampada.

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Sérgio Bastos disse que "as pessoas são livres, a título individual, de conversarem com quem quiserem sobre o que quiserem", mas negou qualquer contacto formal de parte da estrutura da Acampada.

Questionado sobre quem poderá estar a fazer contactos com a Câmara do Porto à margem, Sérgio Bastos admitiu poder ser "outro grupo ou qualquer coletivo".

"Não o [Pedro Duarte] quero desmentir, mas não está a falar connosco com o nosso coletivo, estará a falar com outras pessoas a título individual ou outros coletivos. Mas a nosso título, não, porque as nossas redes estão controladas pelas nossas estruturas organizativas", disse aos jornalistas.

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Questionado sobre se este tipo de ação pode provocar alguma dissonância, Sérgio Bastos disse não ter dúvidas que o autarca "queira provocar alguma dissonância, alguma rutura".

"Mas nós continuamos firmes, continuamos a seguir o mandato que nos é imputado pela Assembleia Popular, a respeitar acima de tudo a vontade da Assembleia Popular", vincou.

O movimento continua a ver a Assembleia Popular "como um instrumento democrático e de legitimidade" não para "suplantar a qualquer outra instituição democrática, mas para reforçar o poder de negociação e o poder de pressão".

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"Assim sendo, se o Pedro Duarte quiser falar com o movimento que mantém a ocupação pacífica e simbólica da praça e que mantém as assembleias populares a escutar o povo que ele não quer ouvir, que fale com esse movimento em vez de procurar pontos de rutura", vincou o membro da acampada.

O presidente da Câmara do Porto revelou esta sexta-feira estar numa fase bastante avançada de "contactos muito cordiais" com o Movimento pela Habitação que está, desde 10 de outubro, em protesto na cidade.

À margem da 3.ª edição do Encontro de Gestores de Entrada, na Alfândega do Porto, o autarca, eleito pelo PSD/CDS-PP/IL, referiu que o movimento ainda não lhe sugeriu uma data para a reunião, mas têm estado a "trocar comunicações" para a concretizar.

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O movimento pela habitação que desde 10 de outubro tem organizado protestos e uma acampada na Praça D. João I, no Porto, reiterou esta sexta-feira o convite para a manifestação de sábado, deixando críticas ao Governo.

A Acampada confirma ainda ter "recebido oficialmente o convite da Câmara do Porto na segunda-feira", para se reunir com o presidente e não quer "fechar linhas de diálogo", mas reitera "a vontade de dialogar e discutir soluções em assembleia popular".

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

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As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

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