Aclimatização de peixe em jaulas no mar contribui para conservação

Estudo mostrou que aclimatização beneficia ações de repovoamento com meros criados em cativeiro.

24 de junho de 2025 às 17:44
Peixes Foto: Nuno Sá
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Ações de repovoamento com meros criados em cativeiro correm muito melhor se os peixes tiverem um período de aclimatação em jaulas no mar, indica um estudo divulgado, esta terça-feira.

O estudo mostrou que os meros (Epinephelus marginatus) aclimatizados no local de libertação, no sudoeste alentejano, ficaram mais tempo no local, pelo que o uso de jaulas pode ser "decisivo para melhorar a eficácia de projetos de restauro que envolvam ações de repovoamento".

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De acordo com um comunicado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o estudo demonstrou que um período de aclimatização no ambiente natural "promove a fixação deste predador de topo nos locais de libertação e contribui para a conservação da espécie ameaçada".

No âmbito da investigação foram libertados no Porto de Sines 15 meros adultos criados na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (IPMA/EPPO), previamente marcados com dispositivos eletrónicos para monitorizar os movimentos na área de libertação. Oito deles foram expostos ao ambiente natural em jaulas de piscicultura durante cinco semanas e os outros foram libertados diretamente.

Dez meses depois, metade dos meros que passaram pela fase de aclimatização continuava no local e um ficou na zona por mais de dois anos. Os não aclimatizados "dispersaram rapidamente", segundo Ana Filipa Silva, primeira autora do estudo e investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) de Lisboa.

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O mero é uma espécie ameaçada, com estatuto de conservação "Em Perigo" na Europa. Apesar de protegido em Áreas Marinhas Protegidas, como o Parque Marinho do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a recuperação é demorada.

"O mero-legítimo está, para o meio marinho, como o lince-ibérico está para o meio terrestre". É um predador de topo e a sua presença é "indicadora de uma elevada qualidade ecológica do ecossistema aquático", diz citado no comunicado Bernardo Quintella, investigador do MARE de Lisboa e coordenador do estudo, que destaca que se os peixes permanecem nas áreas protegidas é maior a probabilidade de sucesso reprodutivo e de recuperação.

"Como a espécie tem um elevado valor para a pesca e para o mergulho recreativo, a sua recuperação também pode ser economicamente importante a nível regional", diz João Castro, investigador do MARE de Évora.

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O trabalho, dizem os investigadores, demonstra que a aclimatização no mar promove a fixação dos peixes no habitat, com aplicação potencial a outras espécies de interesse ecológico e comercial.

O estudo foi liderado por investigadores do MARE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Universidade de Évora, em colaboração com investigadores do Instituto Português do Mar e da Amosfera (IPMA). Foi publicado na revista "Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems".

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