Agentes de navegação dizem que plano estratégico de Leixões é "peça essencial" para o porto

AGEPOR refere que Leixões "é um ativo estratégico para as empresas, para a criação de emprego e riqueza na região Norte, para economia nacional".

14 de abril de 2026 às 19:53
Porto de Leixões Foto: Paulo Duarte
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A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR) defendeu esta terça-feira que o plano estratégico de Leixões é "uma peça essencial" para que aquele porto, em Matosinhos, continue a ser o centro das ligações internacionais do noroeste peninsular.

Em comunicado, a AGEPOR referiu que o porto de Leixões, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto, "é um ativo estratégico para as empresas, para a criação de emprego e riqueza na região Norte, para economia nacional".

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Para a associação, as posições críticas que surgem sobre o Plano Estratégico para o Porto de Leixões "são obviamente legítimas", mas "parecem ignorar que o porto é um ativo estratégico".

"O porto de Leixões é -- ou tem sido até agora -- o grande porto do norte da Península Ibérica, servindo os interesses locais, os interesses regionais, os interesses nacionais, e polo de convergência para o comércio internacional da Galiza, com grande benefício económico para todos estes", destacou.

A associação admitiu que o plano estratégico de Leixões "pode ter defeitos", mas considerou tratar-se de "uma peça essencial para que o porto possa continuar a ser o centro das ligações internacionais do noroeste da Península Ibérica".

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"O tamanho dos navios continua a aumentar e se nada for feito o porto do norte [da Península Ibérica] vai ser Vigo", na Galiza, Espanha, sustentou, adiantando que "já há serviços que foram perdidos para Vigo e mais se vão perder se o tempo continuar a passar e nada for feito".

A AGEPOR defende, assim, que "Portugal e o Norte não podem permitir que Leixões seja sufocado", sendo que "a vista de uns quantos apartamentos para quem os pode comprar, os interesses imobiliários e outros não se podem sobrepor ao interesse de toda uma região e de todo um país".

"O tráfego marítimo é vital para a qualidade de vida das pessoas", apontou.

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O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, garantiu em janeiro que o Plano Estratégico do Porto de Leixões é para avançar e que o Governo vai dialogar com a Câmara de Matosinhos, que já se manifestou contra o plano.

"O plano estratégico tem expansão para o mar, mas não pode ser só para o mar, também tem que haver expansão para a terra dentro do domínio da administração portuária e não estamos a invadir, em nenhum momento, para além das linhas de influência da própria administração portuária", salientou Pinto Luz na ocasião.

O ministro assinalou que nos próximos 10 anos vão ser investidos no Porto de Leixões mais de 1.000 milhões de euros, investimento que se traduz em novas marinas, novos terminais, novos equipamentos de acesso marítimo e novas acessibilidades.

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O Estudo de Impacto Ambiental da ampliação do terminal de contentores norte do porto de Leixões recebeu parecer favorável condicionado da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que exige à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) algumas medidas mitigadoras de impactos.

Em finais de marco, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, admitiu ir a tribunal tentar parar o projeto do novo terminal de contentores norte do porto de Leixões, caso não sejam estudadas todas as alternativas possíveis e minimizados impactos.

"Acho que é insultuoso para os matosinhenses dizer que uma proposta que podia ser mais defensora do nosso equilíbrio territorial e da qualidade de vida para as pessoas não se faz porque é caro, e noutros sítios faz. Nós não valemos menos do que nenhum outro território. [...] A Câmara Municipal recorrerá às vias judiciais, se assim for adequado, para impedir que isto aconteça", disse então Luísa Salgueiro (PS), numa sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Matosinhos.

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Na sessão, foi aprovada por maioria - votos favoráveis do PS, abstenções de CDS-PP e IL e votos contra de PSD, Chega, CDU e Livre - a proposta do executivo de emitir uma pronúncia desfavorável ao projeto de ampliação terminal, defendendo Luísa Salgueiro que a assembleia "devia demonstrar que está até o limite a defender tudo o que é possível".

"Temos de pedir até à última que sejam feitos estudos alternativos que garantam que é possível garantir a competitividade do porto de Leixões para estes navios, e até eventualmente maiores, sem gerar estes impactos negativos", insistiu.

A concessionária do terminal de contentores, a Yilport, também já contestou o projeto da APDL, considerando-o "insustentável a médio e longo prazo".

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