Agricultores querem medidas contra javalis
Animais destroem culturas e deixam produtores desesperados. Responsável promete criar novas épocas extraordinárias de caça.
Amadeu Mendes, agricultor de 59 anos, já perdeu a conta ao número de vezes que teve de fazer a replantação de pinheiro manso no terreno da filha em Mogadouro, Ansião, após os ataques dos javalis à propriedade.
"De há 15 dias para cá tive de fazer a reposição cinco ou seis vezes", garante. A filha, Ana Rita Mendes, fez um investimento inicial de três mil euros e verifica que "metade dos pinheiros estão mortos".
Desesperados com as culturas destruídas, os agricultores da Região Centro e a Confederação Nacional de Agricultura estiveram esta quarta-feira reunidos com o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em Coimbra.
Após o encontro, Nuno Banza, responsável do ICNF, disse haver disponibilidade para criar novas épocas extraordinárias de caça para "correção da densidade" da população de javalis. E lembrou que em 2019 foram abatidos cerca de 850 javalis.
No terreno, os lesados continuam a queixar-se. "Precisamos de ajuda. Não tem havido ninguém a fazer nada para resolver o problema", lamenta Manuel Alegre, agricultor de Penela, que tem sofrido vários prejuízos nas suas vinhas.
Ana Rita Mendes diz que "não havendo a possibilidade de abater os animais", o Governo deveria "ajudar as pessoas com algum fundo para que pudessem fazer a vedação dos terrenos com rede".
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