Águas do Ribatejo apela à moderação do consumo de água face à subida das temperaturas

Embora os sistemas de abastecimento sejam dimensionados com margens de segurança, "não têm uma capacidade infinita", podendo situações de consumo elevado colocar pressão significativa sobre as infraestruturas.

22 de junho de 2026 às 19:41
Água da torneira Foto: Getty Images
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O diretor-geral da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo apelou esta segunda-feira à utilização moderada da água da rede pública, alertando que as temperaturas elevadas estão a provocar aumentos de consumo que, em alguns sistemas, chegam a duplicar face ao inverno.

Em declarações à Lusa, o diretor-geral da Águas do Ribatejo (AR), Miguel Carrinho, afirmou esta segunda-feira que a diferença face ao inverno é particularmente acentuada neste tipo de territórios, ao contrário do que sucede em áreas urbanas, onde o consumo tende a manter-se mais estável ao longo do ano.

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"Chegamos a ter, em muitos sistemas, consumos de água que são o dobro e, em alguns casos, até mais do dobro do que aquilo que acontece nos períodos de inverno", afirmou, explicando que este aumento está associado sobretudo à rega de jardins, manutenção de relvados e utilização de piscinas.

Miguel Carrinho sublinhou que, embora os sistemas de abastecimento sejam dimensionados com margens de segurança, "não têm uma capacidade infinita", podendo situações de consumo elevado, associadas a períodos de calor intenso, colocar pressão significativa sobre as infraestruturas.

O responsável alertou ainda para o impacto dessa pressão na resposta a situações críticas, como os incêndios rurais, uma vez que a disponibilidade de água é essencial para o combate às chamas.

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"Quando já existe uma pressão muito grande sobre os sistemas, pode levar, em situações limite, a alguma falha", disse.

Nesse sentido, apelou a comportamentos "mais conscientes", sobretudo no que classificou como utilizações "não prioritárias ou supérfluas", como regas intensivas, lavagens de pátios ou mesmo a prática de molhar paredes e telhados com o objetivo de arrefecer as habitações, práticas cuja eficácia, com temperaturas superiores a 40 graus, é "muito reduzida", representando sobretudo desperdício de água.

Relativamente às piscinas, o diretor-geral defendeu uma gestão mais eficiente da água, evitando substituições frequentes.

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"Há formas de tratar a água e mantê-la até de um ano para o outro", referiu, apontando vantagens ambientais e económicas.

Miguel Carrinho destacou também que o aumento dos consumos implica maior esforço dos sistemas, o que "eleva o risco de avarias e eventuais falhas no abastecimento".

Sobre as perspetivas para o verão, marcado por previsões de temperaturas elevadas e ondas de calor, o responsável garantiu que as entidades gestoras estão a implementar medidas para reforçar a resiliência dos sistemas, mas ressalvou que essas soluções não são suficientes por si só.

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"A resposta terá necessariamente de ser coletiva", afirmou, defendendo a conjugação de esforços entre entidades gestoras, municípios e consumidores.

Entre as medidas em curso, destacou a procura de soluções alternativas para a gestão de espaços verdes, privilegiando opções que reduzam as necessidades de rega, mantendo, ainda assim, a qualidade do ambiente urbano.

O responsável concluiu que a adaptação aos novos padrões climáticos exige uma mudança de comportamentos, sublinhando que a água deve ser encarada como um recurso essencial, cuja preservação é determinante para garantir o abastecimento humano e usos prioritários, como o combate a incêndios.

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A Águas do Ribatejo (AR) é uma empresa intermunicipal responsável pela gestão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento em vários concelhos do Vale do Tejo, incluindo, entre outros, Salvaterra de Magos, Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche e Torres Novas.

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