Alunos barricados durante 15 horas
As portas da Faculdade de Belas Artes no Porto estiveram fechadas a cadeado durante 15 horas. Entre as 23h00 de terça-feira e as 14h09 de ontem, cerca de 20 alunos de cursos de Belas Artes e de Letras barricaram-se na faculdade, num protesto contra aquilo a que chamam "a privatização do ensino". Após um plenário de alunos, a normalidade regressou à escola e houve aulas durante a tarde.
Ao longo da manhã, professores e alunos mostravam-se surpreendidos com o protesto. 'Sabíamos do incómodo sentido na faculdade, mas não do protesto', disse um docente universitário.
Inicialmente, o grupo de barricados estava autorizado pelo director a permanecer nas instalações até ao seu encerramento, enquanto reuniam para definir os moldes da manifestação, agendada para a manhã de ontem. Mas depois acabaram por recusar sair da faculdade e pediram aos funcionários que se retirassem.
Segundo José Miranda, aluno de Sociologia da Faculdade de Letras e porta-voz dos ocupantes, a luta surgiu 'contra a privatização do ensino, o processo de Bolonha, uma cobertura social inoperante e o aumento das propinas', problemas que, garante, afectam todos os universitários.
Mas o protesto acabou por dividir os alunos. No exterior, muitos manifestavam-se contra a 'ocupação', sobretudo os trabalhadores estudantes que se diziam prejudicados por não haver aulas. 'Não fico aqui fora! Nem pensar nisso!', disse Jeremy de Carvalho, membro da Associação de Estudantes, exaltado e surpreendido pelo protesto, enquanto outros alunos diziam 'ter material para cortar os cadeados.'
No interior, num dos momentos de tensão, Marta Calejo, uma das barricadas, esclarecia os colegas no exterior: 'É legítimo os alunos ocuparem o seu espaço. O ensino não deve ser pago a peso de ouro', afirmou.
Os estudantes esperam ser recebidos hoje pela Reitoria da UP.
PORMENORES
MANIFESTAÇÃO
Enquanto decorria a ocupação houve uma manifestação em frente à Reitoria da Universidade.
MAL-ESTAR
Os alunos de Belas Artes mostram-se incomodados com o facto do protesto ser liderado por alunos de Letras.
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