Alunos dizem-se mais motivados e a aprender melhor

Maioria dos alunos consegue organizar trabalho de forma autónoma e reconhece melhorias na capacidade de trabalhar em grupo.

27 de fevereiro de 2026 às 17:58
Alunos Foto: Bertrand GUAY/Getty Images
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Os alunos dizem estar mais motivadosa e a aprenderem melhor desde que as escolas passaram a ter mais autonomia e flexibilidade para gerir os currículos do ensino básico e secundário, mas gostavam de participar mais nas decisões pedagógicas.

Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado por uma equipa de investigadores que avaliou os impactos do diploma sobre Autonomia e Flexibilidade Curricular (AFC) e concluiu que a mudança foi "globalmente muito positiva" nas práticas pedagógicas, na avaliação e nos modos de organização das escolas.

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O decreto-lei de 2018 veio reforçar a capacidade das escolas para adaptar o currículo às necessidades dos seus alunos e dos territórios em que se inserem, permitindo práticas pedagógicas centradas no aluno, mais colaborativas e interdisciplinares.

Os investigadores analisaram as respostas de mais de 38 mil estudantes e muitos mostraram-se satisfeitos: “Afirmam ter aumentado a sua motivação, ter aprendido melhor e mais do que em anos anteriores” e também sentiram “melhorias na forma como aprendem e aplicam os conteúdos”, lê-se no estudo hoje apresentado no Teatro Thalia, em Lisboa.

A maioria dos alunos disse que consegue organizar o seu trabalho de forma autónoma e reconheceu melhorias na capacidade de trabalhar em grupo.

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Cerca de metade sublinhou que as notas finais já não dependem exclusivamente de testes e que agora, nas escolas, há outros hábitos, como a apresentação de portefólios.

No entanto, esta não é uma realidade transversal a todas as escolas nem a todos os anos de escolaridade, segundo queixas de quem diz ser difícil articular práticas de avaliação inovadoras com os mecanismos formais de certificação, especialmente no ensino secundário, por causa dos “exames nacionais”.

Mas os alunos também se queixam e dizem que gostariam de poder participar mais nas decisões pedagógicas.

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Um em cada cinco estudantes disse nunca ter sido auscultado por professores sobre o que acharam das atividades realizadas e mais de 30% nunca foi chamado a ajudar no planeamento de atividades ou tarefas relacionadas com as aulas.

O estudo teve também por base a opinião de mais de seis mil professores e de 456 diretores, que reconheceram uma mudança nas escolas desde 2018. Mas nem sempre as suas visões coincidem.

A articulação entre professores de diferentes disciplinas, por exemplo, é vista de forma diferente por diretores, docentes e alunos: Apenas um quarto dos diretores inquiridos avalia positivamente a evolução significativa da articulação interdisciplinar, apesar de a maioria dos docentes dizer fazê-lo com regularidade. Também os alunos dizem que essas são práticas pouco habituais.

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Ao longo do estudo, os investigadores sublinham várias vezes que existe uma grande heterogeneidade nacional e nem todas as escolas geriram o processo da mesma maneira, havendo diferenças entre escolas, ciclos de ensino e áreas disciplinares.

Em muitas escolas, surgiram “estruturas organizativas inovadoras”, como a criação de oficinas, tutorias, mentorias, e outras como o “Espaço Turma”, refere o estudo de “Avaliação da Autonomia e Flexibilidade Curricular”, que faz parte do Plano de Avaliação Pessoas 2030.

A participação de pais e encarregados de educação continua a ser “muito reduzida”, mas os investigadores dizem ter identificado alguns sinais positivos de mudança.

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Entre os maiores entraves à generalização das práticas mais inovadoras estavam a sobrecarga horária, a escassez de recursos humanos e a falta de formação.

Se a generalidade estava satisfeita com a mudança, há sempre quem se oponha e por isso os investigadores dividiram os docentes em quatro grupos: os adeptos, os pragmáticos, os forçados e os céticos.

Sendo que o “ceticismo dos docentes é prevalecente sobretudo entre aqueles que trabalham de forma mais isolada”, o que para os investigadores revela as resistências que continua a haver nas escolas por “falta de cultura colaborativa entre professores”.

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