Alunos do 4.º e 6.º ano com resultados "horríveis" na produção de textos

Resultados das Provas ModA revelam problemas graves a Português, na compreensão e na escrita. Professora fala em resultados "assustadores".

22 de outubro de 2026 às 01:30
Provas foram realizadas em maio e notas só agora foram divulgadas Foto: Direitos Reservados
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Os alunos portugueses do 4.º e 6.º ano têm muitas dificuldades na compreensão e produção de textos em Português e também no raciocínio e resolução de problemas de Matemática, revelam os resultados da Provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA) de 2026, realizadas em abril. As médias globais, numa escala de 0 a 100, até registaram uma ligeira melhoria face a 2025, mas permanecem perto dos 50 pontos, enquanto a análise por dimensões permite constatar problemas graves.

Os piores resultados são na produção de textos dos alunos do 6.º ano, cuja média continua a ser negativa, apesar de ter subido de 45 para 47,9. Também na compreensão de textos a média é negativa, tendo descido de 51,4 para 49,5. No 4.º ano, a média na compreensão de textos desceu de 53,7 para 51,8 e a produção subiu de 47,4 para 50,0 Maria do Carmo Oliveira, da Associação de Professores de Português, classifica os resultados como "horríveis" e "absolutamente assustadores".

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"Isto é o resultado de uma política de ensino em que os alunos são educados com documentos orientadores minimalistas, as Aprendizagens Essenciais, e sofrem uma influência crescente das tecnologias, o que lhes retira competências para aprendizagens mais tradicionais, pelo que percebem pior e produzem pior", analisa Maria do Carmo Oliveira, da Associação de Professores de Português, que acrescenta ao problema "a influência de muitos alunos brasileiros e dos Palop, para quem a escola é muito castigadora, que têm de fazer as mesmas provas e não conseguem compreender como os alunos portugueses".

A docente não vê perspetivas de melhorias. “A compreensão de textos é essencial para a cidadania ativa, para não serem manipulados. Mas se não conseguem aos 11 anos acha que vão conseguir aos 17? Os resultados do PISA já mostraram que os alunos têm um atraso de um ano e meio em competências de leitura. Isto não vai melhorar porque as escolas não têm recursos, não encontram soluções, e os alunos estão perdidos”, destaca Maria do Carmo Oliveira, acrescentando: “Estas aprendizagens têm que se trabalhar também em casa, na escola está muito difícil. Os alunos são muito complicados, a capacidade de foco e atenção é limitadíssima, não querem fazer porque o que os rege é o hedonismo, o prazer, não se querem sacrificar”.

Nas provas rotativas, a Inglês, no 6.º ano, a média foi negativa (48,1), enquanto a Educação Artística, no 4.º, foi de 52,1. A Português Língua Não Materna (PLNM) A2, a média foi de 59,2, e a PLNM B1 foi de 52,9. As escolas realizaram 514 402 provas – 246 073 no 4.º ano e 268 329 no 6.º - e as notas chegaram atrasadas, já com o novo ano letivo em curso, tendo o ministro da Educação justificado com os problemas verificados na classificação dos exames nacionais.

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25 perguntas ao ministério

A Missão Escola Pública (MEP) questionou o Ministério da Educação sobre o que está a ser feito para evitar que se repitam os problemas na classificação digital dos exames nacionais. O movimento de professores fez 25 perguntas, entre elas se vai manter a classificação digital, regressar à classificação em papel ou adotar um modelo misto; e se vai manter apenas um centro de digitalização em Lisboa.

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