Alunos estrangeiros mais que duplicaram em cinco anos
Maior crescimento entre crianças da CPLP. No 1º ciclo há concelhos onde mais de um terço são alunos estrangeiros
Em cinco anos, o número de alunos estrangeiros no ensino não superior mais que duplicou, passando de 83518 (5% do total) em 2019 para 168545 (11%) em 2023. O maior crescimento registou-se nos estudantes oriundos dos países da CPLP: eram 52157 em 2019, em 2023 já eram 112533. Há concelhos onde a percentagem de alunos estrangeiros no 1º ciclo é superior a um terço do total em todos os níveis de ensino, revela o relatório Balanço Anual da Educação 2025, da Fundação Belmiro de Azevedo, que é apresentado na quinta-feira.
No documento, os especialistas alertam que "a expansão de diversidade não se limitou às principais áreas metropolitanas, difundindo-se por regiões suburbanas alargadas e municípios de menor dimensão. Esta tendência e a sua magnitude obriga o sistema educativo a adaptar-se a realidades cada vez mais heterogéneas em termos de origem cultural e nacional e em termos de condições específicas de aprendizagem".
O relatório contém várias análises e dados a todo o sistema educativo. No que respeita às creches, em 2023 eram frequentadas por 114200 crianças, com uma taxa de cobertura de 55%. Apesar do programa Creche Feliz ter melhorado a acesso às creches, ainda há muitas assimetrias no País, com baixa cobertura na Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto, Alentejo, Algarve, Setúbal e Santarém. A taxa de cobertura aumentou em 78% dos concelhos, mas a baixa cobertura manteve-se nas mesmas regiões. No pré-escolar, que contava 265025 crianças em 2023, "a frequência já se aproxima bastante da universalidade", com 94% das crianças dos 3 aos 5 anos integradas na rede. Cada educador de infância trabalhava, em média, com 15,6 crianças.
A totalidade das crianças entre 6 e 14 anos frequenta o ensino básico. Em 2023, o básico tinha 945449 alunos inscritos, enquanto no secundário havia 394964 estudantes. O sistema de Ensino Superior contava 448235 alunos.
Ter mais formação permite ter vantagens salariais. Os licenciados ganham em média 45% mais que um diplomado com o ensino secundário, enquanto os mestres auferem mais 80% que o diplomado do secundário. Os doutorados ganham em média mais do dobro (120%) do que quem tem apenas o secundário.
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