Alunos pobres chumbam mais logo a partir do 1.º ciclo
Estudantes com Ação Social Escolar têm os piores resultados na conclusão do 1.º ciclo no tempo esperado, mas melhoraram muito numa década. Rapazes e raparigas pela primeira vez com resultados iguais.
As dificuldades de funcionamento do ‘elevador social’ nas escolas portuguesas começam logo no 1.º ciclo (1.º ao 4.º ano), onde os alunos oriundos de famílias com menos rendimentos, que beneficiam de apoio da Ação Social Escolar (ASE), começam cedo a marcar passo. Enquanto entre os alunos sem ASE, 94% conseguem concluir o 1.º ciclo nos quatro anos esperados, já entre os estudantes com ASE a percentagem desce para 87%, segundo os últimos dados conhecidos, relativos a 2023/2024, divulgados agora pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Indo ao pormenor, constata-se que entre os alunos com escalão A da ASE (os mais carenciados), os resultados são ainda piores e apenas 83% conclui o 1.º ciclo em quatro anos. Já no escalão B, a percentagem que termina sem reprovações é de 92%.
Ainda assim, em termos de evolução, os alunos com ASE melhoraram 2 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2022/2023 e um total de 10 p.p. face a 2014/2015, conseguindo uma melhoria significativa numa década.
Em termos globais, dos 82 007 alunos que entraram para o 1.º ano em 2020/2021, 92% concluiu o 4.º ano em 2023/2024, no tempo esperado e sem chumbar. É um acréscimo de um p.p. face a 2022/2023 e de 11 (p.p.) numa década, em relação a 2014/2015.
Um dado curioso é que, pela primeira vez, a percentagem de raparigas e rapazes a concluir o 1.º ciclo em quatro anos é a mesma (92%), com o sexo masculino a recuperar de uma desvantagem que era de 3 p.p. em 2014/2015. Este é um dado inédito no ensino básico e no secundário.
Por regiões, tal como sucede na maioria dos indicadores de Educação, o Norte apresenta melhores resultados, com 95% dos alunos a concluir o 1.º ciclo no tempo esperado em 2023/2024. Segue-se a região Centro, com 94%, Oeste e Vale do Tejo (92%), Península de Setúbal e Alentejo (ambos 90%), Grande Lisboa (89%) e Algarve (88%).
Numa análise mais fina por regiões NUTS III, os melhores resultados são no Alto Minho, com 97%, seguido de Ave, Cávado, e Tâmega e Sousa, todos com 96%. Já os piores resultados verificam-se no Baixo Alentejo (85%), Algarve (88%) e Grande Lisboa (89%).
Estrangeiros com mais dificuldades
Entre os alunos estrangeiros há maior dificuldade em concluir o 1.º ciclo no tempo esperado. Os piores resultados são entre os alunos oriundos da Índia e Bulgária, ambos com 18% de estudantes que não concluiu em 2023/2024 nos quatro anos e continuava matriculado. Seguem-se os alunos do Bangladesh (17%), Paquistão e Guiné-Bissau (15%), Síria e Irlanda (13%) e Marrocos (11%).
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