Alunos portugueses recuam 20 anos nos resultados do PISA
Portugal desceu nos três itens (Ciências, Leitura e Matemática) e ficou sempre abaixo da média da OCDE, caindo para resultados idênticos aos de 2006. “Os ganhos anteriores foram completamente revertidos”, alerta a OCDE.
Portugal ficou em torno do 30º lugar entre 91 países no PISA 2025, que avaliou a nível mundial 760 mil alunos de 15/16 anos, dos quais 6 945 em 225 escolas portuguesas. Cada aluno respondeu a um teste durante duas horas, com perguntas de escolha múltipla e questões abertas. Os alunos portugueses desceram na pontuação obtida face a 2022 em Ciências (-3 pontos), Leitura (-15) e Matemática (-12), ficando em todos abaixo da média da OCDE - mas próximos da mesma -, e a mais de uma centena de pontos dos primeiros lugares, de novo dominados pelos países asiáticos. Com 20 pontos a constituir o equivalente a um ano de aprendizagens, os estudantes na liderança estão mais de cinco anos à frente dos portugueses.
“As perdas em Leitura e Matemática [em Portugal] agravaram as verificadas anteriormente entre 2015 e 2022. Os resultados regressaram para próximo do nível observado em 2006 nas três matérias, pelo que os ganhos anteriores foram completamente revertidos”, revela a OCDE na parte do relatório relativa ao nosso país. Comparando com 2015, a proporção de alunos com fraco desempenho (abaixo do nível 2 de proficiência) aumentou 11% em Matemática e Leitura, e subiu 7% a Ciências.
A OCDE nota que estes maus resultados ocorrem apesar de 39% dos alunos portugueses avaliados pertencerem a classes favorecidas, a maior percentagem de todos os países. O relatório, que é esta terça-feira apresentado, revela ainda que os alunos portugueses socialmente favorecidos tiveram no PISA 2025 mais 92 pontos do que os desfavorecidos em ciências (a diferença média na OCDE é de 85). Este fosso manteve-se igual em Portugal entre 2015 e 2025, enquanto na média da OCDE a diferença tem diminuído. Através de um questionário respondido pelos alunos em 35 minutos, verificou-se ainda que 14% dos alunos reportam serem vítimas de uma forma de bullying várias vezes por mês (média da OCDE de 20%). Por outro lado, apenas 7% dos alunos portugueses disse ter faltado a pelo menos um dia de aulas nas duas semanas anteriores aos testes do PISA (22% na média da OCDE) e 12% faltou a pelo menos uma aula (22% na OCDE).
Portugal não está contudo sozinho nos maus resultados. Em Matemática, a pontuação desceu 22 pontos na média da OCDE e, em Leitura, a quebra atingiu os 28 pontos. Globalmente, 29% dos alunos de 15 anos da OCDE são considerados como tendo baixo desempenho nas três matérias. Sentem dificuldades a interpretar um gráfico, um simples texto ou a decifrar no quotidiano a relação entre artigos e preços.
Piores resultados para quem usa IA
Os alunos que dizem utilizar chatbots de Inteligência Artifical (IA) obtêm piores resultados a ciências do que os que não utilizam. Em média, a “diferença é de 20 pontos” no PISA 2025. Os alunos que não utilizam IA também possuem níveis maiores de autonomia na busca de soluções, enquanto quem usa pode ser mais propenso à “preguiça metacognitiva”. Mas o impacto da IA é complexo e em países asiáticos houve melhores resultados com a sua utilização. Uma utilização mais “dirigida e moderada” parece ser mais eficaz para as aprendizagens, enquanto a sobreutilização é prejudicial, refere o relatório.
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