Aneurisma da aorta afecta mais de 700 mil
O tratamento do Aneurisma da Aorta Abdominal, que afecta 700 mil pessoas na Europa e poderá afectar cerca de 80 milhões com mais de 60 anos, está aquém da realidade.
"Devíamos tratar 700 a 800 casos de Aneurisma da Aorta Abdominal por ano e tratamos cerca de 300 em todo o País. Há muito aneurisma que não é diagnosticado, não só em Portugal mas a nível mundial", explicou João Albuquerque e Castro, coordenador nacional da campanha ‘Aorta é Vida’, apresentada ontem em Lisboa, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular e da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular.
Este facto é justificado, segundo o especialista, pela ausência de sintomas e pelo desconhecimento da sociedade civil acerca de uma patologia que afecta preferencialmente o sexo masculino com mais de 65 anos. Esta doença vitimou, por exemplo, o antigo primeiro-ministro Mota Pinto.
De acordo com um estudo divulgado ontem, 82% dos homens portugueses desconhece a doença e 89,3% não consegue identificar os factores de risco como o tabagismo, a hipertensão, colesterol, aterosclerose ou diabetes.
"Não existem sintomas específicos nem toda a gente, mesmo dentro da comunidade médica, está alerta. A grande parte dos doentes chega pelo médico de família. Daí a importância da realização de palestras para alertar para esta patologia", referiu.
Alexandre Guerreiro, de 73 anos, teve o primeiro sintoma em 1999. "Começou com um simples zumbido no ouvido. Fui à médica de família que me prescreveu vários exames, como a ecografia abdominal, que detectou um Aneurisma na Aorta. Todos os anos ia fazendo uma TAC mas este ano, em Maio, o aneurisma já estava com 5,2 centímetros de diâmetro e tive de ser operado". Hoje, Alexandre Guerreiro tem uma vida normal. "Sinto-me muito bem", confessa.
APONTAMENTOS
ANEURISMA
Define-se por uma dilatação localizada e permanente de uma artéria, o que a enfraquece.
MORTALIDADE
Quando existe rompimento do aneurisma, a taxa de mortalidade é de 80 por cento.
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