Ano letivo vai arrancar já com falta de professores
211 vagas para horários anuais e completos colocadas em contratação de escola já não tiveram candidatos interessados, alerta a Fenprof, que espera um agravamento do problema da falta de docentes neste ano letivo.
A falta de professores tem sido nos últimos anos um dos principais problemas do sistema educativo e, no próximo ano letivo - arranca entre os dias 11 e 15 -, a situação tenderá a agravar-se, denuncia a Federação Nacional dos Professores (Fenprof). “Vamos começar o ano letivo já com falta de professores. Há 211 horários completos e anuais que não tiveram candidatos interessados na contratação de escola, o que representa já um número significativo de alunos sem aulas”, revela José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof.
A Área Metropolitana de Lisboa é uma das zonas mais afetadas, tendo esta estrutura sindical apontado uma situação particularmente grave. “O Agrupamento de Escolas Queluz-Belas colocou em contratação de escola pedidos de 55 horários para o grupo 110 [1.º ciclo] e não há candidatos disponíveis. Neste agrupamento, já no ano passado, houve alunos muito tempo sem professores”, afirma o dirigente sindical, alertando ainda para a redução crescente do número de docentes contratados. “Nas reservas de recrutamento vai haver cada vez menos professores contratados disponíveis. No pré-escolar e 1.º ciclo ainda há alguma disponibilidade, mas não para todo o País.”
Lisboa, Setúbal e Algarve continuam a ser das áreas mais carenciadas de docentes. Para resolver o problema, o Governo tem baixado o nível de exigência nas qualificações. “No 1.º ciclo, a possibilidade de recrutar professores com habilitação própria não existe e por isso estão a introduzir a possibilidade de contratar professores sem profissionalização”, afirmou José Feliciano Costa.
Também Pedro Barreiros, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), destaca o problema da falta de professores e da ausência de soluções. “É preocupante quando as instituições de ensino superior anunciam apenas 1302 vagas em cursos de Ensino na 1.ª fase do concurso de acesso. E não sabemos se todos virão a ser professores”, afirmou, apontando ainda o número reduzido de estudantes que se preparam para serem docentes de Físico-Química e outras disciplinas: “Já não é notícia a falta de professores e as medidas pontuais que não dão garantia de resolução do problema dentro de uma década.” Acrescenta também “o problema da falta de trabalhadores de apoio educativo”: “Para estes não há carreira nem formação inicial e os salários não são adequados.”
E TAMBÉM
Mudar portaria
Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), espera mais um ano “com escassez de professores, sobretudo em Lisboa, Setúbal e Algarve, não tanto no Alentejo”. “Também é preciso atualizar a portaria do rácio de funcionários, que já tem quatro anos”, afirmou.
Mais acompanhamento
O diretor diz que as escolas precisam de mais auxiliares e terapeutas, devido ao “aumento de alunos com necessidades especiais e ao maior número de imigrantes”, estudantes que precisam de maior acompanhamento.
Mediadores renovam
As escolas já foram autorizadas a renovar contratos com 310 mediadores linguísticos e culturais, revela Filinto Lima. “Têm um trabalho de integração importante e vieram para ficar. Claro que gostaríamos de ter ainda mais”, disse.
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