Aparelho com defeito obriga homem a fazer cinco cirurgias
Deficiência na sutura mecânica do hospital de Cascais provocou uma fístula num doente.
Joaquim Maiato foi operado cinco vezes devido a "uma provável deficiência do aparelho de sutura mecânica" do hospital de Cascais, durante uma cirurgia, pode ler-se no relatório médico.
A falha provocou uma fístula entre o reto e a bexiga de Joaquim Maiato. Na prática, o aparelho, que serve para coser os tecidos, não o fez. Os dois órgãos acabaram por ficar "ligados", quando deveriam funcionar isoladamente.
"A primeira cirurgia foi feita a 15 de setembro de 2015, para retirar um pólipo do reto. Passados três dias, as fezes estavam a espalhar-se pelo meu organismo", conta ao CM o doente, de 70 anos, sublinhando que depois dessa operação "foram realizadas mais três no hospital de Cascais".
Joaquim ficou internado 19 meses nesta unidade, até lhe ser proposto ser transferido para o Egas Moniz, em Lisboa, "onde eventualmente houvesse mais experiência no tratamento destas pouco frequentes complicações", refere o relatório médico. No Egas Moniz, em novembro de 2017, foi submetido a uma nova intervenção, que também não lhe resolveu o problema: continua algaliado.
"Depois da cirurgia no Egas Moniz ainda tive duas consultas com o médico cirurgião. Garantiu-me que ia tratar de mim e que faltava uma operação final, mas desde outubro de 2018 que nem sequer me atende o telefone", desabafa o utente.
Hospital Egas Moniz confirma operação
Ao CM, o Hospital Egas Moniz confirma a intervenção cirúrgica a Joaquim Maiato, em novembro de 2017, depois de ter sido encaminhado do hospital de Cascais.
O hospital garante, no entanto, que "o utente tem o contacto pessoal do cirurgião e que está integralmente informado da complexidade da situação". Joaquim Maiato defende-se: "Qual complexidade, se ele disse que ia tratar de mim? Tenho o contacto, mas ele não atende."
Hospital de Cascais não revela informação
Confrontado pelo CM sobre a falha do aparelho de sutura mecânica, o hospital de Cascais refere apenas que a "política de privacidade não permite divulgar informação a terceiros sobre estados clínicos dos utentes". Não responde, contudo, se o problema do dispositivo está resolvido.
PORMENORES
Nome em lista de espera
Joaquim Maiato diz que o seu nome não consta da lista de espera para ser novamente operado no Hospital Egas Moniz, em Lisboa. "Confrontei o cirurgião e ele disse-me que estava na lista pessoal dele", explica. A unidade hospitalar não respondeu ao CM sobre qual a posição do utente na lista de espera.
"Sem qualidade de vida"
"Fiquei sem qualidade de vida por um erro do hospital de Cascais. Não foi por doença. Só queria que tratassem de mim", desabafa Joaquim Maiato.
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