Arquidiocese de Braga arquiva denúncias de abusos sexuais contra padre de Joane
Arquidiocese frisa que este arquivamento "encerra o caso na ordem canónica e constitui a conclusão final do procedimento" contra o padre, cessando igualmente as medidas disciplinares adotadas em julho de 2022.
A Arquidiocese de Braga arquivou o processo e as denúncias de alegados abusos sexuais de menores visando o cónego Fernando Sousa e Silva, admitindo, contudo, "eventuais comportamentos imprudentes ou inadequados" do sacerdote de Joane, Vila Nova de Famalicão.
Em comunicado esta quarta-feira divulgado, a arquidiocese diz ter recebido, desde novembro de 2019, "algumas denúncias relativas a alegados abusos de menores, ocorridos no contexto da celebração do Sacramento da Reconciliação [confessionário], imputados ao cónego Fernando Sousa e Silva" que, desde julho de 2022, está sujeito a várias medidas disciplinares.
"A Arquidiocese de Braga informa que o referido Dicastério, após um exame acurado, completo e diligente de todos os elementos recolhidos, concluiu não existirem razões suficientes para derrogar a norma da prescrição, por estar perante uma eventual imprudência no exercício da função de confessor, e tendo, também, em conta a idade do acusado [93 anos], determinou o arquivamento do processo e das denúncias", lê-se na nota.
Em comunicado divulgado a 01 de outubro de 2022, a Arquidiocese de Braga pediu "perdão" pelos alegados abusos sexuais imputados ao cónego Manuel Fernando Sousa e Silva, revelando que em julho de 2022 foram impostas "medidas disciplinares" ao sacerdote da vila de Joane, no concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga.
A arquidiocese frisa que este arquivamento "encerra o caso na ordem canónica e constitui a conclusão final do procedimento" contra o padre, cessando igualmente as medidas disciplinares adotadas em julho de 2022.
A nota da arquidiocese refere que o cónego "poderá retomar o exercício do seu ministério sacerdotal, segundo as suas capacidades físicas e no respeito pela prudência, discrição e sentido pastoral que as circunstâncias aconselham", recomendando que "prossiga o seu ministério com humildade, recolhimento e espírito de oração e penitência, sendo especialmente prudente quando exercer a função de confessor".
A Igreja, "de modo especial, dirige uma palavra de proximidade" àqueles que apresentaram denúncias contra Fernando Sousa e Silva.
"Que, após o discernimento das instâncias competentes da Santa Sé, não foram qualificadas como abuso sexual, ainda que se tenham evidenciado eventuais comportamentos imprudentes ou inadequados. Este desfecho pode ser vivido com incompreensão ou até sentimento de não reconhecimento. Todavia, a vossa voz é importante e o gesto de falar continua a ser um sinal de coragem", salienta a arquidiocese.
A Arquidiocese de Braga "reafirma o seu compromisso com a promoção de uma cultura de cuidado e de prevenção, bem como a sua disponibilidade para acolher e acompanhar, através da Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, todas as vítimas de violência sexual".
"Nesse sentido, sem que ignore a contrariedade que este desfecho possa constituir para todos os que partilham o seu testemunho, vem exprimir o seu reconhecimento a todos aqueles que, com coragem e sentido de responsabilidade, trazem à luz situações de abuso, contribuindo para a verdade, para a prevenção e para a proteção dos mais vulneráveis. Essa disponibilidade para denunciar, mesmo quando marcada por dor e exposição pessoal, constitui um serviço indispensável à purificação e credibilidade da Igreja", diz a nota.
A Arquidiocese de Braga deixa também "uma palavra de proximidade" à comunidade paroquial da vila de Joane.
"Foram anos de inquietação, de perguntas que, por respeito pelos trâmites processuais, pela salvaguarda da justiça, pela independência das instâncias e pela proteção dos envolvidos, não puderam ter uma resposta pública mais célere. A Igreja não ignora essas feridas: inclina-se sobre elas, acolhendo a dor expressa e reconhecendo que nenhum processo a elimina, mas que pode, ainda assim, abrir-se um caminho de reconciliação pascal", sublinha a Igreja.
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