Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço encerram escolas na segunda-feira por falta de água
Camiões-cisterna dos bombeiros estão a abastecer os reservatórios e encargos a ser suportados pelo município.
Os municípios de Arruda dos Vinhos e de Sobral de Monte Agraço anunciaram este domingo que vão, na segunda-feira, encerrar as escolas por continuarem com problemas de falta de água devido ao mau tempo.
Em comunicado, Sobral de Monte Agraço informou que "todas as escolas do concelho estarão encerradas, devido a constrangimentos no abastecimento de água provocados por uma rotura na conduta da EPAL".
Até que a conduta seja reparada, camiões-cisterna dos bombeiros estão a abastecer os reservatórios, estando os encargos a ser suportados pelo município. Ainda assim, "não está ainda regularizado e estabilizado o fornecimento de água", salienta.
Desde sábado que grande parte do concelho está sem água, devido a uma avaria numa conduta que já está a ser reparada.
O presidente da câmara de Arruda dos Vinhos, Carlos Alves, disse à agência Lusa que, na segunda-feira, a maior parte das escolas deste concelho vai estar encerrada pelo mesmo motivo.
O mau tempo provocou danos numa conduta, deixando sem água cerca de sete mil habitantes da freguesia de Arruda dos Vinhos, acrescentou o autarca.
O número de desalojados no concelho de Arruda dos Vinhos subiu para 47, depois de duas famílias terem ficado com danos nas habitações na sequência de um deslizamento de terras, disse o autarca.
O mau tempo dos últimos dias levou também ao corte de várias estradas e, de momento, apenas se consegue chegar a Arruda dos Vinhos através da Estrada Nacional 248-3, por Alverca (no concelho de Vila Franca de Xira).
"Arruda está cada vez mais isolada devido a deslizamentos de terras. Só temos uma via transitável, a EN 248-3 através de Alverca" para sair ou entrar no concelho, disse o presidente da câmara.
As principais vias estão interditas à circulação, nomeadamente a EN 248, cortada nos acessos a Vila Franca de Xira e a Torres Vedras, e a EN 115 nos sentidos de Bucelas e Sobral de Monte Agraço.
A EN 115-4, no acesso a Alenquer, encontra-se apenas transitável por uma via, sem circulação de veículos pesados.
Outras vias municipais estão "completamente destruídas, comprometendo a mobilidade interna e o acesso a serviços essenciais", de acordo com o município. As localidades de Cardosas, Arranhó e Carvalha estão isoladas.
Face ao número de estradas cortadas por deslizamentos de terras, a autarquia decidiu adiar para dia 15 as eleições presidenciais no concelho.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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