Ativistas do Porto dormem ao relento e prometem manter protesto pela habitação
Advogados juntam-se a ativistas e acusam polícia de ação desproporcional
Mesmo sem tendas, os ativistas do movimento "Não dá mais para viver assim" dormiram a última noite ao relento, em sacos-de-cama, na Praça D. João I, no Porto. Os manifestantes lutam contra o aumento do custo da habitação e dizem que, mesmo depois de a Polícia Municipal lhes ter retirado as tendas — que eram uma das marcas do protesto —, não vão baixar os braços.
Para esta quarta-feira, pelas 19h00, têm já marcada uma manifestação que esperam ter uma grande adesão, não só da população, mas também de outros movimentos, associações e sindicatos. "Sem tenda a noite foi mais complicada, mas conseguimos. Muitas pessoas trouxeram até cá cobertores, mantas e comida quente, o que ajudou. Esta luta vale a pena e nós vamos continuar", contou ao Correio da Manhã uma das ativistas.
O movimento tem tido o apoio de muitas pessoas e até de alguns restaurantes da Baixa do Porto, que fornecem a alimentação para quem está na praça em protesto. Também três advogados se juntaram à causa. "Foi depois da intervenção policial que decidi aliar-me a esta causa. A forma desproporcional e perfeitamente descabida com que a polícia retirou as tendas, sem qualquer tipo de justificação nem base, fez-me vir cá. Não só por eles, mas por aquilo que eles representam nesta luta", explicou Tiago Machado, um dos advogados que se juntou ao movimento.
As tendas que foram retiradas pelas autoridades foram levadas para a Câmara, onde mais tarde os manifestantes as foram buscar e onde dizem que acabaram por ser identificados. "Aquilo que percebi é que lhes foram pedidos os dados e foi-lhes transmitido que quem levantasse as tendas seria depois alvo de um processo contraordenacional, mas, para já, documentos, factos ou algo escrito no papel não temos", disse o advogado. O movimento já fez o pedido à autarquia para continuar os protestos na Praça D. João I, no Porto, pelo menos até ao dia 20 deste mês.
O protesto contra o aumento dos preços da habitação começou no sábado com mais de 1500 manifestantes. Depois disso um grupo de jovens montou cerca de 50 tendas na Praça D. João I, no Porto, onde ainda se encontram.
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