Autarquia de Almada diz que nos últimos 75 anos, nunca se consumiu tanta água como em 2026
Nos últimos dias moradores de várias localidades do concelho de Almada têm relatado sucessivas falhas de água.
O concelho de Almada atingiu em 2026 o maior consumo de água dos últimos 75 anos, com um aumento de 4,3 por cento nos primeiro seis meses deste ano face a 2025, segundo a autarquia.
Numa nota publicada na sua página no Facebook a Câmara Municipal de Almada(CMS), no distrito de Setúbal, aponta que o aumento de 4,3 por cento representa mais do dobro do crescimento médio anual das últimas décadas, que rondava os 2%.
Contudo, salienta a CMS, este aumento não é igual em todo o concelho.
"Enquanto zonas como o Pragal, Almada, Cacilhas ou a Cova da Piedade viram o consumo estabilizar ou até descer ligeiramente, outras dispararam: a Charneca da Caparica cresceu mais de 15%, a Sobreda e o Lazarim quase 15%, e a Costa de Caparica mais de 14%", refere a autarquia.
Estes números, segundo a autarquia, "ajudam a perceber a pressão que o sistema de abastecimento está a sentir este ano".
Numa outra publicação na mesma página a CMS adianta que o aumento substancial do consumo nas horas de maior calor fez com que a procura ultrapassasse o volume de água que os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS) conseguem extrair diariamente das captações (furos).
Por essa razão, sustenta, "de forma a salvaguardar o fornecimento de água a todas as habitações e impedir que as mesmas localidades fiquem sobrecarregadas, está em marcha um modelo de distribuição partilhada e alternada", uma estratégia que, advoga a autarquia, pretende regularizar os níveis de reserva em todo o território almadense.
O plano de ação da CMS passa pela captação operacional, indicando a autarquia que os SMAS ligaram recentemente uma nova infraestrutura, que já produz a 100%, pela ativação de mais um furo nas próximas semanas e por processos regulamentares para três furos e o desenho técnico de outros três.
Este plano, adianta a autarquia, inclui ainda a modernização das infraestruturas com a expansão de depósitos de armazenamento, pela renovação da rede de distribuição e pelo acompanhamento técnico das condutas permanece ativo e sem interrupções, assegurando a vigilância contínua 24/24 horas.
Nos últimos dias moradores de várias localidades do concelho de Almada têm relatado sucessivas falhas de água, tendo sido lançada uma petição que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual os peticionários exigem medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água.
Os peticionários pedem ainda uma intervenção urgente para que este problema seja resolvido com a maior brevidade possível e manifestam-se "profundamente preocupados e indignados perante as frequentes interrupções no abastecimento de água" que têm afetado parte do concelho, em especial a Costa da Caparica, a Sobreda e os Capuchos.
Na petição é explicado que "há várias semanas que milhares de residentes e comerciantes enfrentam cortes de água recorrentes, muitas vezes durante horas consecutivas e frequentemente em períodos críticos do dia, nomeadamente ao final da tarde e início da noite, quando a maioria das famílias regressa a casa e necessita de utilizar este serviço essencial".
Esta situação, adiantam, tem provocado sérios constrangimentos à população, impedindo atividades básicas e indispensáveis do quotidiano, como tomar banho ou preparar refeições, bem como o funcionamento normal de estabelecimentos comerciais.
A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) pediu esclarecimentos aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada.
Na sequência de queixas à ERSAR, o regulador pediu esclarecimentos aos SMAS de Almada para apurar a situação e a resposta dada aos utilizadores.
O Movimento Futuro da Costa, que se candidatou nas ultimas autárquicas, anunciou a realização na manhã de segunda-feira de uma concentração de protesto junto aos SMAS Almada, enquanto nas redes sociais está a ser anunciada a realização, no dia 08 de julho, na Costa da Caparica, de um cordão humano silencioso para apelar à resolução urgente da falta de água.
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