Autoridade Marítima auxiliou um total de 14 embarcações no rio Guadiana
Caudal do rio Guadiana está bastante forte face às descargas das barragens de Pedrógão e Chança.
A Autoridade Marítima Nacional (AMN) auxiliou desde quarta-feira um total de 14 veleiros no rio Guadiana, junto a Alcoutim, no Algarve, devido à subida do caudal do rio, sem registo de danos pessoais, disse esta quinta-feira fonte da Marinha.
"São embarcações que estavam fundeadas no rio e que foram à garra ou à deriva, uma das quais com pessoas a bordo, o que motivou a nossa intervenção, no âmbito da atuação do quadro de intervenção da Marinha e conjugado com as Forças Armadas. Não há registo de danos pessoais, nem danos materiais significativos", disse à agência Lusa o Capitão do Porto de Vila Real de Santo António e Tavira, Sérgio Pardal.
Segundo o responsável, várias pessoas que se encontravam nas embarcações decidiram "sair por vontade própria, outras mantiveram-se fundeadas, nomeadamente nas embarcações que garantiam condições de as pessoas estarem bem fisicamente".
"O caudal do rio Guadiana está bastante forte face às descargas das barragens de Pedrógão e Chança", motivadas pela chuva intensa associada às depressões Leonardo e Kristin o que tem dificultado o fundamento estável das embarcações, explicou o responsável.
Sérgio Pardal indicou ainda que a maioria das ocorrências se verificaram nas zonas mais a montante de Vila Real de Santo António, "onde o rio afunila e faz aumentar a corrente, locais onde estão mais embarcações fundeadas".
"O trabalho de auxílio e vigilância tem sido feito conjuntamente com as autoridades do Salvamento Marítimo espanhol, que também têm uma embarcação no apoio à navegação no Guadiana", notou.
O também comandante local da Polícia Marítima de Vila Real de Santo António, disse ainda que as autoridades vão manter-se vigilantes e "empenhados, principalmente na salvaguarda da vida humana e na segurança da navegação do rio Guadiana".
"Mantemos em permanência uma equipa da Polícia Marítima por terra e a avaliar as condições dos cais e das zonas das margens e temos duas equipas do Instituto de Socorros a Náufragos a socorrer e a dar resposta às ocorrências no rio", concluiu.
Segundo a Proteção Civil Municipal de Alcoutim, o caudal do Guadiana começou a subir desde o final da tarde de quarta-feira, tendo já provocado extravasamentos nas margens durante as praia-mares.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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