Barragem do Alqueva aumenta descargas de água devido a afluências elevadas
"Persistência de caudais afluentes elevados" provocados pela chuva intensa justificam as descargas.
A Barragem do Alqueva aumentou, esta quinta-feira, para 3.300 metros cúbicos por segundo (m3/s) as descargas de água que está a efetuar devido à "persistência de caudais afluentes elevados" provocados pelas chuvas intensas, revelou a empresa gestora.
Fonte da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) explicou à agência Lusa que, esta manhã, foi aumentado "o caudal de descargas" a partir da barragem, cujo paredão está situado entre os concelhos de Portel, distrito de Évora, e de Moura, distrito de Beja, no Rio Guadiana.
"Aumentámos as descargas porque as afluências ao Alqueva continuam elevadas", indicou a fonte.
Os 3.300 m3/s, precisou, são alcançados graças "aos 2.500 m3/s de caudal a ser descarregado [através dos dois descarregadores de meio-fundo que estão abertos] e aos quatro grupos das duas centrais hidroelétricas que estão a turbinar 800 m3/s".
O caudal que está a chegar à Barragem de Pedrógão, situada a cerca de 23 quilómetros e já no concelho vizinho de Vidigueira, no distrito de Beja, é proveniente de Alqueva, mas também as afluências do Rio Ardila, "que está com um caudal muito elevado".
"O Pedrógão está com um caudal de descargas na ordem dos 4.000 m3/s" para o Rio Guadiana, ou seja, está a "debitar o máximo desde o fecho das comportas do Alqueva", realçou a fonte da empresa gestora deste empreendimento de fins múltiplos (EFMA).
Devido ao mau tempo e ao elevado volume de água armazenado, as descargas para o rio começaram no passado dia 28 de janeiro de manhã, a partir da Barragem do Pedrógão.
No mesmo dia, às 16:00, foi a vez de a Barragem do Alqueva proceder à abertura dos descarregadores de meio fundo e iniciar descargas controladas, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento.
Na altura, o caudal de descarga inicial foi de 600 m3/s, o que, somado ao caudal turbinado, perfez um caudal lançado total de 1.200m3/s, informou então a EDIA, acrescentando que, a partir do Pedrógão, o caudal descarregado era de 1.500 m3/s.
Após 48 horas, a operação foi suspensa e, esta segunda-feira, foi retomada, face à "persistência de caudais afluentes elevados".
O Alqueva passou então a libertar um caudal total de 1.400 m3/s e, esta quarta-feira, o volume de água descarregado subiu novamente, para 2.050 m3/s (em Pedrógão 2.700 m3/s, incluindo afluências do rio Ardila), indicou, esta quinta-feira, a fonte da EDIA, que reforçou que, desde esta quinta-feira, o novo total é de 3.300 m3/s (4.000 m3/s a partir do Pedrógão).
Já aquando das operações dos últimos dias, a empresa recomendou que, perante o risco de cheias, as populações devem adotar "comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas" e pediu a "colaboração de todas as entidades e populações ribeirinhas na prevenção de situações de risco".
A última operação de descargas controladas em Alqueva havia sido efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).
A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.
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