Barragem do Alqueva aumenta descargas de água devido a afluências elevadas

"Persistência de caudais afluentes elevados" provocados pela chuva intensa justificam as descargas.

05 de fevereiro de 2026 às 16:16
Barragem do Alqueva aumenta descargas de água devido a afluências elevadas Foto: DR
Partilhar

A Barragem do Alqueva aumentou, esta quinta-feira, para 3.300 metros cúbicos por segundo (m3/s) as descargas de água que está a efetuar devido à "persistência de caudais afluentes elevados" provocados pelas chuvas intensas, revelou a empresa gestora.

Fonte da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) explicou à agência Lusa que, esta manhã, foi aumentado "o caudal de descargas" a partir da barragem, cujo paredão está situado entre os concelhos de Portel, distrito de Évora, e de Moura, distrito de Beja, no Rio Guadiana.

Pub

"Aumentámos as descargas porque as afluências ao Alqueva continuam elevadas", indicou a fonte.

Os 3.300 m3/s, precisou, são alcançados graças "aos 2.500 m3/s de caudal a ser descarregado [através dos dois descarregadores de meio-fundo que estão abertos] e aos quatro grupos das duas centrais hidroelétricas que estão a turbinar 800 m3/s".

O caudal que está a chegar à Barragem de Pedrógão, situada a cerca de 23 quilómetros e já no concelho vizinho de Vidigueira, no distrito de Beja, é proveniente de Alqueva, mas também as afluências do Rio Ardila, "que está com um caudal muito elevado".

Pub

"O Pedrógão está com um caudal de descargas na ordem dos 4.000 m3/s" para o Rio Guadiana, ou seja, está a "debitar o máximo desde o fecho das comportas do Alqueva", realçou a fonte da empresa gestora deste empreendimento de fins múltiplos (EFMA).

Devido ao mau tempo e ao elevado volume de água armazenado, as descargas para o rio começaram no passado dia 28 de janeiro de manhã, a partir da Barragem do Pedrógão.

No mesmo dia, às 16:00, foi a vez de a Barragem do Alqueva proceder à abertura dos descarregadores de meio fundo e iniciar descargas controladas, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento.

Pub

Na altura, o caudal de descarga inicial foi de 600 m3/s, o que, somado ao caudal turbinado, perfez um caudal lançado total de 1.200m3/s, informou então a EDIA, acrescentando que, a partir do Pedrógão, o caudal descarregado era de 1.500 m3/s.

Após 48 horas, a operação foi suspensa e, esta segunda-feira, foi retomada, face à "persistência de caudais afluentes elevados".

O Alqueva passou então a libertar um caudal total de 1.400 m3/s e, esta quarta-feira, o volume de água descarregado subiu novamente, para 2.050 m3/s (em Pedrógão 2.700 m3/s, incluindo afluências do rio Ardila), indicou, esta quinta-feira, a fonte da EDIA, que reforçou que, desde esta quinta-feira, o novo total é de 3.300 m3/s (4.000 m3/s a partir do Pedrógão).

Pub

Já aquando das operações dos últimos dias, a empresa recomendou que, perante o risco de cheias, as populações devem adotar "comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas" e pediu a "colaboração de todas as entidades e populações ribeirinhas na prevenção de situações de risco".

A última operação de descargas controladas em Alqueva havia sido efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).

A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar