Bebé precisa de transplante

Campanha de recolha amanhã na Junta de Freguesia de Matosinhos e no Externato Bom Jesus. Maria Raquel, de dois meses, sofre de osteopetrose, doença rara cuja cura passa por transplante de medula.

25 de maio de 2013 às 13:41
transplante, medula, criança, matosinhos, doença, transfusões Foto: Rafaela Cadilhe
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Desde que nasceu, há dois meses, em Matosinhos, Maria Raquel só esteve três semanas em casa. A bebé sofre de osteopetrose, doença hereditária rara que torna os ossos densos e afeta a formação da medula. Já foi submetida a cinco transfusões. A cura passa pelo transplante de medula óssea, o mais cedo possível, para que não sofra sequelas neurológicas. Os pais lançam um apelo a potenciais dadores.

"O transplante é curativo. Tudo o que temos feito são tratamentos paliativos", disse ao CM Sara Pinto, mãe da bebé. Sara, de 29 anos, é estudante do 3º ano de Medicina, mas desconhecia a doença, que atinge uma em cada 250 mil pessoas.

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"É uma mutação genética e eu e o pai temos de ser portadores. Mas não temos casos na família com esta doença", diz, acrescentando que a filha só tinha manchas na pele quando nasceu. Por ter as linhagens de sangue em baixo, fizeram transfusão de sangue e plaquetas, mas os valores mantiveram-se baixos. A 24 de abril, um hematologista do Hospital de Santo António, no Porto, diagnosticou a doença .

"Fizeram-lhe um raio-X do esqueleto e viram que os ossos eram mais densos. Aparentemente é uma bebé saudável, só é um pouco branquinha. Se não tivesse as manchas na pele não sabíamos logo. O diagnóstico foi feito em dois dias. O médico ainda só viu outro caso como este. Se não se tratar, a minha filha só vive dez anos", disse.

Depois de duas transfusões de sangue e três de plaquetas, Maria Raquel aguarda pelo resultado à biopsia aos ossos e pela solidariedade das pessoas. "Vamos começar uma campanha para encontrar um dador. O irmão, de 4 anos, não é compatível. Nem nós. Ela pode ficar surda, cega e com défice neurológico", diz. As campanhas realizam-se domingo na Junta de Freguesia de Matosinhos e no Externato Bom Jesus.

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SAIBA MAIS

MEDULA

A medula óssea é um tecido mole que preenche o interior dos ossos longos e as cavidades esponjosas.

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1987

Ano em que foi feito o primeiro transplante de medula em Portugal, no IPO Lisboa, por Manuel Abecassis.

DADORES

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O dador de medula tem de ser saudável e ter entre 18 e 45 anos.

DISCURSO DIRETO

"CASOS SÃO EMERGÊNCIAS", Nuno Miranda, Hepatologista do IPO de Lisboa

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Correio da Manhã - O transplante de medula óssea pode levar à cura da osteopetrose infantil maligna?

Nuno Miranda - Sim, mas deve ser feito nos primeiros meses de vida, já que pretende evitar o desenvolvimento das sequelas, como a perda de visão, audição e mobilidade, que podem levar à morte.

- A eficácia do transplante diminui com o passar dos anos?

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- Estes casos são emergências. Quanto mais tempo passa, mais as sequelas se tornam irreversíveis. O transplante não reverte as sequelas.

MARTA RAMOS RECUPERA BEM

Marta Ramos, de oito anos, encontra-se bem. A menina de Oeiras faz uma "vida normal", depois de ter recebido dois transplantes de medula óssea, em 2009, para curar uma leucemia.

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TRANSPLANTE DE GUSTAVO FAZ UM ANO

Um ano depois de ter sido submetido a um transplante de medula óssea, Gustavo, filho do jogador Carlos Martins, "está a reagir bem e a recuperar, mas é um processo que tem o seu tempo", conta a avó, Fátima Martins.

Atualmente com quatro anos, o menino, que sofria de aplasia medular, foi operado faz hoje um ano no Instituto Português de Oncologia de Lisboa. Segundo a avó, ainda tem algumas limitações: "Pode brincar mas com alguns cuidados." Não pode ainda frequentar o infantário e passa a maior parte do tempo em casa, a brincar com o irmão. Normalmente joga futebol, que é a sua brincadeira preferida.

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Em todo o processo, a energia de Gustavo foi fundamental para a família. "Nunca foi abaixo. Era ele que nos transmitia força", refere Fátima Martins.

O QUE PRECISA DE SABER PARA DOAR MEDULA ÓSSEA

Para ser dador de medula óssea, necessita de ter entre 18 e 45 anos, pesar pelo menos 50 quilogramas e não sofrer de qualquer doença crónica ou autoimune. Um outro fator essencial é que não tenha recebido transfusões sanguíneas desde 1980.

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Quanto ao processo de recolha, esta pode ser feita de várias formas:

- A colheita a partir da veia do braço implica apenas a administração de um fármaco para aumentar a produção e circulação das células, num processo praticamente indolor.

- A colheita a partir da medula óssea é feita através dos ossos da zona pélvica, o que requer uma anestesia e um curto período de hospitalização.

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- Durante o parto, pode ser efetuada a recolha de células a partir do cordão umbilical.

Depois de recolhidas, as células são analisadas. Caso haja compatibilidade, serão mais tarde diluídas e injetadas no doente.

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