Bebé queimada no D. Estefânia

Os pais de uma bebé acusam os profissionais de saúde do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, de negligência médica, ao terem provocado uma queimadura no tornozelo da filha quando esta tinha apenas 15 dias de vida. Passaram três meses e a bebé ficou com uma cicatriz no pé. Os pais de Maria Leonor, que vivem no Fogueteiro (Seixal), não se conformam. O hospital reconhece que a menina sofreu a queimadura, mas alega que recebeu a "assistência necessária" e que teve alta hospitalar após a total cicatrização da lesão.

08 de agosto de 2012 às 01:00
bebé, queimada, seixal, fogueteiro, hospital dona estefania Foto: Vítor Mota
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Lisandra Torres, 24 anos, e Nuno Torres, 26 anos, pais de Maria Leonor, estão revoltados com a situação e apresentaram uma queixa no livro de reclamações da unidade hospitalar. "A minha filha não pode ficar com uma cicatriz para toda a vida, que foi causada no hospital. Ela não nasceu com esta marca. Queremos que o hospital assuma as responsabilidades e nos garanta que vai fazer uma cirurgia estética, daqui a uns anos, para disfarçar a cicatriz", afirma Lisandra Torres.

Tudo se passou em Maio. Lisandra levou a filha recém--nascida à Urgência do Dona Estefânia, no dia 2, devido a febre e diarreia. Segundo a administração hospitalar, foi prescrito soro com glicose de cálcio por via endovenosa, ou seja, dado através de uma veia do pé. Para o soro não sair do sítio, foi feita imobilização ao pé da bebé, o que "tornou difícil vigiar o local adequadamente após infiltrar", isto é, sair da veia (ver caixa ao lado).

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A unidade reconhece que "um soro com cálcio pode, em poucos minutos, gerar uma situação de queimadura como, infelizmente, aconteceu". Acrescen-ta que, mal foi detectada, "a situação foi prontamente acompanhada".

A administração do Hospital D. Estefânia afirma que, através do serviço social, prestou "assistência à continuidade de cuidados de Leonor, incluindo facilidade de deslocações para tratamento, medicação e alimentação".

PROTECÇÃO NO PÉ IMPEDE VIGILÂNCIA DE INFILTRAÇÃO

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A administração hospitalar afirma ao CM que, por se tratar de uma recém-nascida, com apenas 15 dias de vida, "foi necessário imobilizar o pé, para permitir a permanência do soro". A unidade salienta que a "imobilização, indispensável, de um pé tão pequeno obriga à aplicação de uma protecção para que o soro não saia ou possa infiltrar os tecidos adjacentes". Essa protecção, justifica a unidade, "dificulta a vigilância local e nem sempre é de imediato perceptível uma infiltração".

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